domingo, 28 de fevereiro de 2010

Especial: A realidade de uma família sem lar


Icapuí - Há exatamente um ano, a diarista Ana Célia e seu esposo Sérgio, viram as chuvas alagarem o seu pequeno barraco feito com tijolos soltos e coberto de palha. O piso de areia transformou-se num imenso lamaçal, vindo a derrubar aquilo que para eles era o único lar. Sem ter onde se abrigarem juntaram-se a outras famílias que tiveram suas casas invadidas também pelas águas das chuvas e se alojaram no Centro do Idoso. Este espaço foi construído em 2003 para a realização de atividades culturais e de lazer para a população idosa do município de Icapuí. No início, a prefeitura de Icapuí realizou algumas atividades, mas há tempos que aquele espaço encontra-se desativado, servindo de motel e ponto de encontro de viciados em drogas. Dona Ana Célia e os demais moradores provisórios, deram um aspecto habitável ao local que estava em situação de abandono total, cheio de lixo, janelas depredadas e muita sujeira.

Passado o período de chuvas, as famílias que dividiam aquele espaço com Ana Célia puderam retornar aos seus lares e retomar a vida normalmente, porém, Ana Célia e sua família não tinham para onde regressar. Permaneceram no prédio do Centro do Idoso na esperança de que alguma atitude fosse tomada pela Secretaria de Ação Social ou qualquer outra entidade ou pessoa se sensibilizasse com a causa. A prefeitura municipal de Icapuí enviou funcionários por algumas vezes para avaliar a situação dessa família, mas nada de concreto foi resolvido.

Iludidos com promessas de políticos locais na construção de uma casa de verdade, o casal passou a idealizar projetos de uma vida normal, sonhando com um futuro tranqüilo e um espaço que pudessem chamar de lar. Até o momento, a única ajuda que chegou foi a de alguns vizinhos que doaram materiais de construção, que mesmo carregado de boas intenções é insuficiente para erguer uma moradia digna.


Passado um ano, a família de Dona Ana Célia se ver agora pressionada para desocupar o prédio, de propriedade da Prefeitura Municipal de Icapuí, sem o amparo efetivo que lhe é de direito garantido pela Constituiçao Federal. Receosa de ficar no meio da rua, conseguiu um novo abrigo nos antigos galpões da COOPI – Cooperativa dos Produtores de Icapuí, que há muitos anos estão desativados e abandonados também. A Família de Ana Célia vai se mudar para uma sala nos fundos de um dos galpões, onde eram processados peixes e lagostas nos tempos áureos de sua produção (e que ainda persiste o odor forte dos pescados), sem água, sem luz, sem nada! A Secretaria de ação social assegurou que enviaria um pedreiro nessa semana para avaliar a situação e dar início a construção da casa tão sonhada pelo casal.

Na foto acima, Ana Célia visita o local onde era a sua "casa" e mostra o terreno onde a Secretaria de Ação Social afirmou que irá erguer uma casa de verdade. Será uma casa pequena e simples, é verdade. Mas que caberá todos os sonhos de uma família.

Fotos e reportagem: Klaud´Mar José

2 comentários:

JEFSON REIS disse...

O que me deixar triste com alguns politicos de ICAPUI eh essa falta de respeito para com o cidadao. Nao tenho nada contra premios da semana cultural, mais o acho que dar motos , carro como aconteceu, acho um exagero muito grande quando vemos situacoes como dessa familia sem LAR. Minha gente prestem bem atencao onde vamos parar com essa falta de compromisso com o cidadao que tem direito sobre o que eh seu , a prefeitura tem por obrigacao de dar maradia, lazer, educacao , saude... pra qualquer cidadao e essa familia merece um LAR. Se o prefeito quizer ele consegui uma casa pra essa familia. ele consegui patrocinadores para premios da semana cultural como motos e carro, porque nao uma casa popular pra essa familia, nao entendo onde anda a cabeca desse povo que administra ICAPUI. Nao quero aqui acabar com os premios da semana cultural , muito pelo contrario, so que acho um exagero moto e carro de premios se tem outras coisas mais importantes. Isso eh so um exemplo de onde o dinheiro do povo pode ser usado com mais e que responsabilidade. Jefson Reis

Klaud´mar disse...

è verdade Jefson...

Acompanho de perto a dura vida dessa senhora e sei os percalços que ela enfrenta no dia - a - dia,mas sem perder a dignidade.

Muitas vezes vemos pessoas que são beneficiadas sem ter necessidade alguma, enquanto essa família não tem o amparo merecido.

Valeu pela participacao!