sexta-feira, 5 de março de 2010

Artigo: “AI MEU DEUS, SE ACABA TUDO! TANTO BEM QUE EU TE QUERIA...”


De repente, bateu uma veia saudosa de coisas perdidas em nossa cidade e que deixam a gente com um sentimento misto de amor e de insatisfação com o lugar onde se vive. A evocação de trecho daquela “moda” antiga que somente sei chamar de “a música da velha debaixo da cama”, veio a calhar para dar título à reflexão desse artigo.
Tomei a consciência de que se a gente começar a listar oportunidades que deixaram de existir em Icapuí, especialmente aquelas relacionadas à diversão, iremos ter um rol de coisas que se acabaram com o tempo por diversas circunstâncias. Algumas explicáveis, outras não. Posso recordar algumas, e fica aos leitores a tarefa de trazer outras não aqui relatadas.
Das mais antigas, fica a forte saudade da encenação da Paixão de Cristo com “renomados atores locais” em plena sede de Icapuí e com tremendo sucesso de público e atuação. Ao lado dela as famosas peças de palcos, elaboradas e encenadas por jovens locais. Um sucesso!!!
Das situações corriqueiras, tenho sentido falta dos garotos e garotas pelas ruas com pratinhos nas mãos gritando aos quatro ventos: “Olha o carapicu!!!, Olha a saúna!!!”. Nada mais peculiar à nossa cidade que essa comum presença. Representava, de fato, a luta e o esforço dos filhos em contribuir com a renda familiar. Tomara essa ausência seja porque sua situação financeira tenha sido melhorada. Quem nunca viu também outros, até adultos, vendendo cocadas e doces mesmo no horário pós-almoço, satisfazendo desejos de uma sobremesa e um copo d’água. Muito bom!
Faz falta no campo da diversão o velho clube de Antonio que, mesmo sob protestos, figurava como único espaço de encontro da juventude em tempos de raras festas badaladas. A exemplo do “inferninho” (alguém lembra?), meu Deus, também se acabou.
Acabou-se também as freqüentes encenações dos grupos de teatros de rua, tirando muitas vezes a gente da solidão da praça central e fornecendo, de passagem, alegria e reflexão. Por falar em praça, sinto uma falta danada daqueles festivais de músicos locais, sempre às sextas feiras, dando mais ânimo ao final de semana, sempre muito silencioso. Acabou-se igualmente nos meses de férias a notória presença de pessoas de outras cidades ou de Icapuí mesmo que residem fora. Não se vê mais os telões na praça, não se percebe mais as famílias nos bancos (que bancos?) conversando. Como dizem por aqui, “pode andar nu!”
Das festividades municipais, onde será que foi parar a alegria da festa da padroeira, suas barracas, jogos e outras coisas mais? Sinto falta daquele corre-corre para comprar a roupa nova para ir à festa de setembro. Ai, meu Deus, se acaba tudo... Faz falta mesmo é a semana do estudante, desfiles, festas, jogos com ginásio lotado, apresentações culturais, sem falar naquele show de arte, ginástica olímpica e teatro que Mauro, Alderi e Wellington faziam tão bem. Meu Deus, vinha gente do Icapuí todo ver o espetáculo. Que saudades!
Engraçado é que isso se vai e agente nem parece sentir... Fica apagado como se nunca tivesse existido. Mas são muitas coisas que se acabaram. Deve ter muitas outras mas eu não lembro agora, e mesmo, não teria espaço no artigo. Alguém se habilita a relembrar? Vai ser legal esse exercício!

5 comentários:

Claudi Mar disse...

Eh amigo Clotenir...

A modernidade dos tempos destrói as coisas simples que nos faziam felizes, e o que resta é somente a nostalgia...

Lembro com muita saudade do tempo em que sentávamos nos terreiros, tendo a lua como única fonte de luz, para ouvir as histórias de nossa avó. Era tão bem contadas que até hoje não sabemos se era verdade ou invionice da velha querida. Quem ver hoje em dia um neto ouvir as histórias dos avós, ou pelo menos seguir seus sábios conselhos?

Lembrei do cai no poço, com água aonde, no pescoço... do passa o anel... do grilo... do pera uva maça... do batelão... da mancha... e do esconde-esconde. A juventude de hoje não tem tempo pra isso. Estão ocupados demais atualizando seus perfis no orkut, msn, facebook... etc!

Tolos, não sabem que a felicidade está nas coisas mais simple, e nós, fomos felizes na magia da simplicidade.

Abraços e parabens por mais um belíssimo texto!

Daniel Freitas disse...

Lembrei da gincana do estudante e suas divertidas rivalidades (to sustentando o ultimo titulo desde 2004! ^^)

Lembrei do festival de quadrilha e da Canoa Veloz.

Lembrei do requenguela deserto que só tinha pescadores...

Lembrei dos esconde esconde nas ruas do centro...

I. D. Júnior disse...

Caro amigo Daniel,

Porque não existe mais o Festival de Quadrilha?

Daniel Freitas disse...

não sei...

Ana disse...

Parabens texto brilhante.....Lembrei da ciranda cirandinha vamos todos cirandarrrrrrrrrrr.... dos jogo de queimada.............de roubar galinha na semana santa....... e as ciriguelas la de seu Anastacio... de pegar carona em cima dos carros pra ir pro gabriel... dos jogos na vase dia de domingo............. dos rachas no ginasio..... do grande Taumaturgoooooooooooooooooooooo....da televisao la no pe da serra...... dos banhos da agua de ze de nembrancaaaaaaaaaaaaaa... quando eu Bernisangela e companhia faziamos charfurdooooooooooooooooooo kkkkk e de namorar atras do mercado la perto de almi ou la atras do ginasio.... do misto de Deildo........................das conversas com Chaga de titi e Osmari.... das brincadeiras de Xandu........ de seu luis cunhaaaaaaaaaaaaaaaaa............tempo de ir buscar lenha. murici,das tapiocas de zabel e das rocas de maria de luisssssssssssss ou de maria de piau de manhaaaa bem cedinhoooooooooo ou a tarde das esfirras de cosmo........... de jogar cinuca la em pele....... ate mesmo dos carao de Dona Joselia la no Mizinha........ dos jogos nos domingos la em Ze de pedro..... dos pastoril la no oidaguaaaaaaaaaaaaaaaa.......affffffffffffffffffffffffff que xaudadesssssssssssssss ou simplismente da espera da virada do ano novo pra cantar ESSE ANO EU QUERO PAZ NO MEU CORACAO, QUEM QUIZER TER UM AMIGO QUE ME DER A MAO O TEMPO PASSA E COM ELE CAMINHAMOS TODOS JUNTOS...cantei muitas vezes esse hino mas nunca vi como tao real como agoraaaaaaaaaaaaa