segunda-feira, 8 de março de 2010

Artigo: Em busca da felicidade (parte nº 02)

Em busca da felicidade (parte nº 02)

Por Daniel Freitas


Em continuação ao primeiro artigo, que lastreou alguns debates sobre a Utopia, a situação atual do município de Icapuí, a possibilidade da existência da CONFIANÇA entre governo e governados, as rivalidades políticas existentes entre os munícipes e a possível fomentação dos próprios políticos nessa rivalidade, venho através deste dar continuidade a instigação dos debates, que estão cada vez mais produtivos.

Para está segunda parte, reservei um tema muito polêmico, que é a questão PARTIDÁRIA geral e municipal, sei sei... tenho certeza que muita gente já ficou animado com o tema proposto e muitos outros mais que eufóricos ficaram até agressivos, imagino até os pensamentos dos leitores, “aquele filho da mãe já vai defender partido A”, “só quero que ele fale mal do partido B para ver se eu não calo a boca dele”. Mas se ACALMEM, iremos manter a compostura e analisar o papel do partido, a partir do enfoque da nossa 2ª PILASTRA DO DESENVOLVIMENTO, quem arrisca ai qual é? Exatamente! Meninos inteligentes... É a ORGANIZAÇÃO.

Não só a política, mas a sociedade como o todo, necessita de bases organizacionais para se manterem vivas. Desde os primórdios das civilizações, os seres humanos nunca conseguiram se manter isolados, existe uma grande necessidade da nossa raça de conviver em grupos. Antes, eram entidades familiares, que colocavam a figura paterna como líder e obrigado pelas leis e pelo sustento da casa, todos o respeitavam pois o pai era visto como a base da família; então, essas famílias foram se reunindo e formaram as aldeias (que já tinham seus lideres, normalmente os anciões, dono do maior conhecimento da aldeia), as aldeias se transformaram em cidades, estados e países, todos se identificando por características como a língua, cultura, hábitos, o que facilitava a harmonia daqueles grupos. (vide a Cidade Antiga, de Fustel de Coulanges, para um maior entendimento sobre a evolução das sociedades – Leitura Virtual Disponível em: http://ebooksbrasil.org/eLibris/cidadeantiga.html)

Na atualidade, é facilmente perceptível a crescente diversificação dos membros da sociedade, fato este, que fez com quem os indivíduos de determinado lugar fossem caracterizados apenas pelo fator localização. Com isto, a escolha dos seus lideres se tornou tarefa muito mais árdua. Como iremos escolher um líder que defenda todos as classes e interesses? Foi a partir dessa necessidade de representação que surgiu o sistema representativo, através da criação dos partidos políticos.

Após esta introdução, segue trecho da monografia “O paradigma da fidelidade partidária na sociedade brasileira” de minha autoria, como forma de trazer um maior entendimentos de aspectos históricos das entidades partidárias e suas peculiaridades no Brasil.

“A realidade partidária do Brasil é historicamente sem tradição. Oficialmente os partidos existem, no país, há mais de 160 (cento e sessenta) anos. Porém, nenhum deles, dos mais de 200 (duzentos) que já existiram, durou. Diferentemente de outros países que tem partidos centenários, como os Estados Unidos da América, com o Partido Republicano, criado em 1854 e o Partido Democrata, existente desde 1837. No Brasil, os partidos que mais duraram foram o Partido Conservador, que surgiu por volta de 1836, durando 53 anos, sendo extinto com a Proclamação da República em 1889; o Partido Liberal, surgido na época do Império em 1837, também foi extinto com a Proclamação da República, em 1889 (duração de 52 anos); e o Partido Republicano Paulista (PRP), fundado em 18 de abril de 1837 e foi extinto em dezembro de 1937, contabilizando assim um século de existência.

Essa falta de continuidade dos partidos brasileiros foi ocasionada pela desestabilidade que o país passou desde a vinda da família real para o Brasil, havendo uma série de eventos que modificaram o quadro político-partidário do país. Entre estes grandes fatores que fizeram findar muitos partidos, podemos citar a implantação da República em 1889, que findou os partidos monárquicos; o governo de Getúlio Vargas, após a revolução de 1930; a formação do Estado Novo, em 1937, com a proibição do funcionamento de todos os partidos existentes; o fim do Estado Novo, que fez renascer os partidos políticos; a ditadura militar, em 1964, que, através do AI-2, extinguiu os partidos existentes, implantando o bipartidarismo; a extinção do bipartidarismo, pela Lei nº. 6.767, de 20 de dezembro de 1979, que permitiu a criação de novos partidos; e a Constituição de 1988, que legislou sobre a formação dos partidos existentes na atualidade.

Talvez, seja este, um dos grandes motivos para que o povo brasileiro não tenha a cultura de conhecer melhor a ideologia, a história, as metas e os programas do partido em que esta votando. Situação agravada pelos partidos, que não buscam incentivar essa pesquisa de informações por seus eleitores, tornando a relação partido-eleitor muito distante.

Vale lembrar, que esses movimentos partidários sempre foram realizados com presença apenas das classes dominantes de cada época, não chegando a atingir as classes mais baixas. Os movimentos políticos populares começaram a surgir na Era Vargas (1930 – 1945), mas só obtiveram ênfase no cenário nacional com o surgimento da Constituição de 1988.

(...)

Bonavides (2001, p. 377) relata que:

        Em verdade, a vida constitucional do Brasil se fez sempre no Império e na República à base de personalidades, de líderes políticos e caudilhos, homens que dirigiam correntes de opinião ou interesses, valendo-se apenas do partido como símbolo de aspirações políticas, nunca como organização de combate e ação, que jamais chagaram a ser.

Além disso, é nítido que muitos partidos só têm ideologia no papel, tendo atos totalmente divergentes dos que constam no seu estatuto, como, por exemplo, o jogo das coligações, que junto com outras agremiações partidárias buscam um maior número de eleitos pelo partido, fazendo com que frentes com filosofias contrárias se postem como aliados, deixando o eleitor, cada vez mais, sem entender o que o seu partido defende, e o que realmente significa a sigla partidária.”

Espero que esse pequeno trecho tenha trago um maior entendimento sobre os partidos no Brasil e que fomente a libido dos leitores a COMENTAR E DEBATER SOBRE: FUNÇÃO DOS PARTIDOS POLÍTICOS x COLIGAÇÕES x IDEOLOGIA OU PERSONALIDADES x CENÁRIO MUNICIPAL e IMPORTÂNCIA DA ORGANIZAÇÃO GOVERNAMENTAL.

O leque de possibilidades são grandes, espero que todos comentem. Sim, desculpem pelo tamanho do artigo, dessa vez ficou muito grande. =D.

Daniel Freitas, continuando o debate.

5 comentários:

Daniel Freitas disse...

ninguém teve coragem de ler o texto todo... hauhauhauhaua

Icapuí em Foto disse...

Juro Daniel que li ele inteiramente agora. Foi um pouco exagerado no tamanho, mas vale toda pena lê-lo. Bom, voltando ao assunto do artigo. Vamos debater com relação ao artigo e não distorcer para outros temas, como foi feito no artigo anterior. O tema do mesmo era: CONFIANÇA, FISCALIZAÇÃO E OPOSIÇÃO. Não foi isto que li nos comentários, por este motivo, não participei do debate. Espero que não aconteça o mesmo aqui. A questão partidária é algo sensível ao se debater. As palavras usadas devem ser pensadas antes de escritas, pois, as pessoas (não generalizando, TODAS) confundem logo a ideologia partidária com bajulação. A ligação partidária existente entre um filiado e o partido não é a mesma entre o partido e o eleitor não filiado, o que torna a confiança do partido pequena. Partidos políticos, me desculpem as palavras, são uma grande BESTEIRA. Ideologia, coligações e funções partidárias são de uma importância tão baixa que me dá vontade de dormir só de ver as brigas entre os partidos. A divisão que os partidos criam como GOVERNO X OPOSIÇÃO é ridícula. Os nossos representantes são eleitos para fazer justamente como o nome diz REPRESENTAR. Não é isso que acontece. Os vereadores, prefeitos, deputados estaduais e/ou federais, senadores, governadores e o presidente defendem mais os interesses dos seus partidos do que o interesse maior do bem público, O POVO! Essa é minha opinião. Quando na verdade deveriam se unir para melhorar a vida do povo, melhorar os serviços públicos, melhorar o país, não, eles brigam por que os outros não são do seu partido ou coligação e tem interesses diferentes dos seus, quando deveria existir apenas um interesse: O POVO. Em Icapuí também acontece isso, não é diferente. Muitas pessoas nascem e são amigos por muitos anos, mas, quando chegam a uma política acirrada, por conta de seus familiares serem de partidos diferentes, acabam deixando de serem amigos. Tolo quem pensa que isso não é verdade. Só não perde amigos quem sabe discernir politicagem de amizade. Ainda bem que não perdi amigos por conta disso.

OBS: Sou filiado no PT, mas não sigo ideologias partidárias.

Ass: Felipe Freitas

Daniel Freitas disse...

Felipe, o art. 1º, paragrafo único, da COnstituição Federal pátria, ensina que "Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos da Constituição".

Ou seja, se pararmos para pensar, a organização política do Brasil era para se resumir da seguinte maneira.

- Povo: Dono do poder
- Político eleito: representante do povo
- Partido politico: Forma organizacional para facilitar a escolha dos representantes do povo.

mas, infelizmente, isso não ocorre. O sistema brasileiro atual é resumido da seguinte forma:

- Povo: Outorgante do poder;
- Politico eleito: instrumento do poder.
- Partido politico: instrumento usado por sua cupula para obter o poder.
- Cupula dos partidos: "O poder".

Esse é um dos motivos pela qual nao defendo a fidelidade partidária, pois o politico deve ser fiel ao povo e nao ao partido, necessariamente.

Espero, que tenhamos mais comentarios, e que eles tenham pontos de vistas DIVERGENTES, para que ocorra um debate o mais saudável possivel.

Daniel Freitas, há ainda esperança que esse artigo renda alguma coisa, lol...

João Paulo disse...

Bom. metendo a colher onde não sou chamado, compartilho da tese do Vereador felipe onde não vi no texto O tema proposto: CONFIANÇA, FISCALIZAÇÃO E OPOSIÇÃO. Acho que faltou-me inteligencia para conciliar a ideias do autor. Quero informar antes de tudo que sou apartidario (Meu partido é um coração partido...Cazuza), não me identifico com nenhuma ideologia presente nos partidos brasileiros, como também com nenhum dos seus lideres.. Sobre a questão partidária brasileira (Esse deveria ser o TEMA do texto) acredito eu, que a ideoligia é realmente o importante, bem mais que a sigla... e está claro na historia brasileira uma constante luta entre duas ideologias... A primeira uma ideologia mascarada por uma elite tendo os principios do liberalismo e da manutação do poder desde da chegado do europeu em terras brasileiras...Do outro lado está os abastados filhos sofridos do Brasil Colônia, Imperio e agora Republica... Aqueles que a elite querem apagar da historia do Brasil com frases como:A realidade partidária do Brasil é historicamente sem tradição"... Será que não há tradição partidaria no Brasil?.. Os novos partidos fundados hoje nasceram de que? do nada? Não de ideologias?.. Só há duas ideologias presente na historia... como diria Marx.. os detentores do poder - a Elite - e a classe operária - os menos favorecidos pelo sistema. O panorama partidario presente hoje no brasil decorre destes dois setores...Não há tradição nos partidos hoje? O problema na organização partidaria brasileira hoje é que as novas siglas nasceram para camuflar o real interesse do partido... Mas se realmente estudarmos não a ideologia camuflada hoje a HISTORIA DOS PARTIDOS presente hoje no plano politico institucional brasileiro,saberemos sim, QUEM È QUEM...e saberemos sim quais suas bases tradicionais...

Daniel Freitas disse...

QUe é isso João Paulo, esse é um espaço de todos e é um prazer ler o seu comentário. Mas, você pecou por alguns enganos. O Felipe que comentou não é o vereador, é outro Felipe... Felipe Freitas. e ele colocou que os COMENTÁRIOS não seguiram o tema proposto pelo texto e não que o texto não tinha nada haver com o tema. Em verdade, o texto é apenas um pé inicial para os debates e o tema é o caminho pela qual os discursos devem passar.

mas, parabéns pelo seu comentário e participe mais.

Abraços