domingo, 4 de abril de 2010

Artigo: As casas de alpendre

Ando preocupado com o progressivo desmonte das casas de alpendre do trecho de Mutamba e Cajuais. Do meu lugar de observador vejo que a velocidade com que se destrói estas tradicionais casas leva junto consigo a história  ea memória local. Eu continuo achando que tais residências são o que há de mais simbólico deste município. No entanto, me parece que poucos se manifestam no sentido de preservá-las. 

A última vez que vi algo a esse respeito foi a tentativa do ex-Secretário de Educação e Cultura, Luiz Oswaldo  S. M., em tombá-las via IPHAN, na perspectiva de reformá-las e mantê-las intactas. De lá para cá, como não tenho acompanhado muito estas questões, desconheço quaisquer cuidados com essa marca de nossa cultura. Os registros históricos da importância e significado das casas de alpendre, das que ainda restam, já foram revelados desde a publicação do livro "Aldeia do Areal" (Freitas Filho) e por outros escritos e manifestações orais. 

O que fica, de fato, é a sensação de indiferênça como este patrimônio da cidade. Sugiro que as pessoas envolvidas em alguma ação relativa a essas casas nos informe o vem sendo feito, que projetos foram desenhados para garantir às pessoas proprietárias melhores condições de residência e de segurança (se esta é a explicação para o fato de algumas casas terem sido demolidas) e o que se tem feito para monitorar os movimentos de derrubada. Construídas a tanto tempo, penso que esse aspecto deve ser considerado, mas nunca seja a destruição a melhor saída.

Acho que uma clara política de cultura e preservação do patrimônio municipal deve ser mais explicitada, no sentido  do acompanhamento das casas de alpendre, seu registro e reforma. Ando muito desejoso de sair um dia desses fotografando estas casas, para que, para além dos quadros de Mauro Braga, elas permaneçam na memória de nossos jovens como história da cidade.

Um comentário:

Claudi Mar disse...

Nobre colega clotenir...

Constantemente faço essa observação acerca das casas de alpendre,que compoem a identidade visual de Icapui. Fico triste por saber que, principalmente no trecho Mutamba-Centro há pouquíssimas delas que sobreviveram ao "progresso". Como apreciador da arquitetura, me indigno principalmente com os proprietários, pq esse tipo de casa,além de ser sua morada, carrega consigo toda a sua história de vida, de seus antepassados, a memória de sua existência, e deveria ser o maior defensor e conservador desses espaços.

No entanto, muitas dessas pessoas, na sede tendenciosa de seguir a modernidade, simplesmente levam ao chão monumentos históricos ricos em cultura que são as casas alpendradas.

Sorte nossa, ter o Mauro Braga que retratou muito delas, e que num futuro proximo, serão as unicas imagens que teremos. Infelizmente!

Parabens!