domingo, 6 de junho de 2010

Crônica: Embalos de Sexta e Sábado à Noite...

Por: ClaudiMar Silva

Todo fim de semana é assim... Há sempre pessoas sedentas por diversão, lazer, entretenimento. A noite icapuiense, infelizmente, ainda não dispõe de opções que vá além da tradicional arte de beber cachaça com refrigerante e similares alcoólicos. Usarei como exemplo, este último fim de semana, que ainda não acabou, mas que conheço os pormenores, por ser exatamente igual a todos os outros, e simplesmente por não ter escolha:

Clique em LEIA MAIS e veja o roteiro "cultural" deste fim de semana.

Hugos bar

Hugo´s Bar é o típico bar mal falado, mas que é certeza de casa cheia todo os fins de semana. Faça sol ou faça chuva. Essa fama não se deve em nenhum instante à pessoa do dono, mas a frações dos freqüentadores e certos tipos de “coisas” que por lá acontecem e por lá mesmo ficam. Resume-se a um espaço a céu aberto no topo da encosta da Serra de Mutamba, com uma vista deslumbrante da orla marítima e dos coqueirais para o qual todos ficam de costas, exceto quando se busca uma “toca” no meio das “caatingueiras” para tirar a água do joelho ou dar início ao processo de cortejar um possível esquema amoroso, do tipo “amanhã não te conheço”. As atrações “culturais” invariavelmente são solitários tocadores de teclados eletrônicos, com melodias pré-programadas que envereda à noite intercaladas com músicas do cancioneiro popular atual (forró) milagrosamente conduzida por uma nota só e aqui e acolá um gritinho agudamente ensurdecedor do intérprete na ânsia de “animar” a festa. E consegue!

Cajueiro Bar

Cajueiro Bar ninguém sabe onde fica. Mas, se disser Bar do Azarias até vovó sabe. Mais um bar incrustado no topo da encosta da mesma serra anterior, só que no Centro, onde mesmo que se deseje contemplar as belezas paisagísticas de nossa cidade, o que se verá serão muros altíssimos por todos os lados. O local é totalmente vedado, à prova de espiões curiosos e desocupados que gostam de “curiar” a vida alheia. Para não gastar dedos e as molas deste teclado, digo que a programação “cultural” é a mesma descrita anteriormente.

Reggae da Redonda

O “reggae da Redonda” já passou por diversos estágios e localizações. Atualmente, a concentração “regueira” acontece no Bar da Silvia, ou do Zé, ou do Chico, nunca lembro os nomes. Sei que fica à beira-mar e é facilmente identificável: fechado com chapas de madeirite, ou aço, ou frande, ou papelão, ou tudo junto. Segue o estilo “todo estilo”, e no computador escandalosamente instalado no bar tocam músicas em mp3 que vão desde “dance music”, algumas nacionais com letras proibidas para este horário, passando pelo forró e findando, claro, no reggae. Esse sim, o som que anima os nativos, assumidamente apreciadores deste estilo musical e característica cultural daquela comunidade. O senão fica por conta dos “pedintes” que sempre precisam de 1 real para “interar” alguma coisa.

O Boiadeiro

Localizado, ou melhor, deslocalizado num beco atrás de outro beco, logo após o primeiro beco assim que você sai do beco de acesso à Vila Nova de Barreiras de Baixo. Conhecido como o “reggae da Vila Nova”, tem presença constante de um DJ que raramente deixa tocar a música inteira, ou raramente atende um pedido de algum cliente. O público fiel é formado por adolescentes eufóricos e suados, que pouco se importam com as leis proibitivas de consumo de álcool e cigarro por menores de idade. Sempre dão um jeitinho de comprar. O bar ainda proporciona uma experiência única e inesquecível: a sensação da gravidade lhe puxando para o fundo do salão. Aparentemente há um desnível no piso que, querendo ou não, você acaba “escorregando” e quando se dar conta, lá está no meio do auê, suado também.

Manoel leite

Não tem jeito. Ninguém chama a escola Raimunda Lacerda de Raimunda Lacerda. É o Manoel Leite mesmo. Iniciando as festanças juninas, a escola Manoel Leite possui o enigmático dom de atrair multidões para qualquer que seja a festa lá realizada. E a banda de ontem precisava mesmo de um milagre para atrair qualquer pessoa. Mas “bombou”. Jogando fora todos os preceitos educacionais e políticas pedagógicas, viu-se que não importa quem esteja tocando, tendo álcool, cigarro, loló e sendo no Manoel Leite, a festa é boa. E foi!

Para os que não se identificaram com esse roteiro “cultural”, aconselho alugar um filme, pois outras opções de lazer não existem.


10 comentários:

Vitoria Viana disse...

e o festival de quadrilha vai ter esse ano?

Claudi Mar disse...

Vitória...

Até o momento não sabemos nada a respeito do festival de quadrilha. Creio que não acontecerá!

Abços e obgdo pela participação!!

Janice disse...

[Risos] Bem melhor que essa programação é ler essa crônica. Divertidíssima!!!!!

Claudi Mar disse...

Obrigado, obrigado, obrigado!

Pelo menos esse roteiro descultural me dar inspiração! kkk!

Bjos janice!

Rabelo, C.D. disse...

Irreverente, inteligente e completo! Um primor!

Claudi Mar disse...

Rabelo CD...

Tão irreverente, inteligente e completo quantos os seus belíssimos e aguardados, ansiosamente, artigos...

Escreve rapaz! Bom demais de ler!

Abços!

Luiz Teotônio Mendes disse...

Não vi nada de engraçado e não me desculpem por esta opinião, muito menos pela próxima. Mais uma denúncia e advertência importantíssima como a publicada neste blog sobre a decadente vida noturna e diurna de Icapuí e redondezas não é algo para simplesmente ler e achar engraçado, absolutamente.
A cidade de Icapuí é rota nacional e internacional do tráfico de drogas, que migram de Fortaleza e Mossoró, e os caras, os otários, a rapaziada, não se dão conta do jogo em que estão metidos, com certeza pelo baixíssimo índice de leitura que existe nesta cidade e demais. É ignorante de todas as idades por todos os lados, buracos, vielas, mansões e castelos de areia, e todos se achando espertíssimos em relação a tudo. Residi nesta cidade em uma época ainda tranqüila, mais quando soube por fonte segura que pescadores da região estavam pagando com o pescado dívidas com traficantes, que acredito hoje em dia deva está bem pior - pelo tipo de raciocínio que impera no subconsciente coletivo dos icapuienses, hoje além do pescado com certeza entra na parada mulher e filha como moeda de crédito. Isto além do prostituído desrespeito existente e natural no comportamento dos icapuienses, sem generalizar, mais a maioria, um horror social decadente e ultrapassado, mais que acham moderno. Caí fora e daí e só vejo notícias decadentes sobre esta cidade de uma forma geral. É lamentável que uma cidade localizada um uma região tão privilegiada não tenha maturidade suficiente para saber barrar, através do conhecimento, tudo o que não presta do seu meio social. Admito que na pocilga Brasil, apesar de tudo o que não presta, ainda encontramos cidades onde a sociedade sabe se reunir para limitar a catastrófica e decadente pseudo modernidade, preservando o lado inteligente do social através da orientação e educação. Itens que não existem em Icapuí e demais cidades da redondeza, cidades fadadas a uma galopante decadência hoje e muito mais em um futuro bem próximo, afinal desde 1995 é apenas o início de um terrível processo o que vocês vivenciam e que pagarão um alto preço. E não sou o único, conheci poucas pessoas nesta cidade, uns cinco, durante o período que aí residi. Houve um fato relativo a um radialista, que se mandou daí e disse ao vivo na emissora "que apesar da vasta experiência de vida que ele tinha e do vasto curriculum, não poderia residir em uma cidade em que pessoas olhavam de soslaio para sua mulher", se mandou. Não tive a oportunidade de conhecê-lo. Bem, dos quatro grandes amigos com suas agradáveis famílias que conheci em Icapuí, apenas um é natural daí, gente muito boa, inteligentíssimo e muito culto, uma rara exceção, que terei em breve o prazer dei revê-lo para debatermos o que foi previsto há anos atrás por eu e ele. Outro grande amigo, que ainda reside aí, gente muito fina com uma peculiar curiosidade, este e os outros dois não são daí. Resumo amigo natural de Icapuí em três anos e meio que aí residi, apenas um, os de mais vieram de outras regiões. Não se sintam ofendidos, mais esta é minha real opinião fruto da minha vivência na sociedade de Icapuí.
Obs. Em respeito aos meus amigos que ainda residem por aí, resolvi omitir os seus nomes.

Mari cecilia Silvestre disse...

Claudimar, seria cômico se não fosse trágico. Mas... vc esqueceu de visitar o Belém e CVTP. Lá as"coisas" tb rolam!!!!

Adolfo Maia disse...

Luiz, Creio que não é o conteudo da programação publicada, mas a forma de como ela foi escrita, que foi feita com humor.

Mas a decadência de programação cultural em Icapuí está muito grande e não surgem e nem incientivam a criação de espaços culturais na cidade. O que acontece é a banalização das coisas.

Eu concordo contigo que a sociedade de icapui está em um periodo de decadencia e não é feito nada para melhora-la, mas é feito para intencificar essa decadência, num joguinho politico criado em nossa cidade, que deixam passar coisas importantes como cultura, saude e lazer.

Icapuí é uma cidade que tem todas as condições de ser referencia, pois a sociedade é uma sociedade pacata, que nao tem muito crimes, como muitas de nossas vizinhas e que pode avançar mais e mais em um processo de democracia participativa e de conscientização para o futuro da cidade.

Mas enquanto eu penso que podemos avançar, aqui se muitos pensam no atraso, na justificativa de que o erro feito no passado justifica o mesmo erro presente. Se eles erraram nós também podemos errar.

Nós que fazemos o blog agradecemos a sua participaçao e vamos publicar seu comentário para termos uma discussão qualificada sobre a nossa querida cidade.

Rerisson Costa disse...

É, muito bem feito o roteiro! realidade pura!