sexta-feira, 2 de julho de 2010

OPOVO: Editoral - Conflito de Icapuí

O Jornal O POVO de hoje (02/07) em seu Editorial trata do conflito dos pescadores que chocou a  opinião publica do Estado nessa semana. O jornal comenta que os confrontos em Icapuí se devem a pesca predatoria e a ausência do poder público – sobretudo do Estado e da União. Cita o clima de insegurança e que a situação no município "é um verdadeiro barril de pólvora, prestes a explodir diante do menor atrito." Por fim O POVO cobra "que as autoridades acordem, saiam da letargia e assumam suas responsabilidades constitucionais para que não venhamos a lamentar novas tragédias."

Leia o editorial completo abaixo.

Editorial

Conflito de Icapuí

Icapuí frequentemente é palco de confrontos entre comunidades de pescadores por causa da pesca predatória e a ausência do poder público
02/07/2010 02:00
Atualizada às: 01/07/2010 23:54

Como aconteceu em maio do ano passado, novo conflito espocou entre os pescadores de Icapuí, no Litoral Leste do Estado, a 200 quilômetros de Fortaleza. Desta vez, os pescadores Francisco de Assis de Sousa Filho, 54, foi baleado no abdômen, e o filho, Antônio Carlos de Oliveira Sousa, foi atingido no braço por estilhaços de vidro. Revoltados com o atentado aos pescadores, os moradores da cidade realizaram manifestações na entrada do Centro da cidade.

Relatos do episódio descrevem um ataque de homens encapuzados e armados contra os dois pescadores, supostamente flagrados quando realiza pesca ilegal. Ambos foram abandonados no litoral e foram socorridos pela população. Ferido, o pescador Francisco de Assis foi trazido para o Instituto Doutor José Frota (IFC) em Fortaleza, onde está internado e, segundo a assessoria de imprensa do órgão, está fora de risco de vida. Antônio Carlos foi atendido no Hospital Municipal de Icapuí e passa bem.

Foi o que bastou para que uma parte da comunidade se rebelasse e passasse a obstruir o acesso à cidade. Um carro que chegava à sede de Icapuí transportando passageiros da praia de Redonda, foi queimado e, o acesso da praia para Icapuí e entre as praias de Barrinha e Mutamba foram interditados. Uma reunião de urgência de representantes da polícia com foi entabulada para desobstruir as estradas. O clima, porém, é de insegurança, pois, a qualquer hora, novo conflito poderá irromper, como já sucedeu por várias vezes.

Se o problema é causado pela pesca predatória, cabe às autoridades responsáveis providenciar meios para coibir as ilegalidades e evitar assim que os prejudicados queiram fazer justiça com as próprias mãos. Já está comprovado que a situação é um verdadeiro barril de pólvora, prestes a explodir diante do menor atrito. O fato é que persiste a ausência do poder público – sobretudo do Estado e da União – o que tem dado ensejo ao confronto direto entre antagonistas que disputam a área de pesca.


Há inconformismo dos pescadores artesanais diante da investida da pesca ilegal, promovida por grupos que utilizam de redes caçoeiras e compressores (cilindro de ar) desobedecendo à legislação. De vez em quando, transgressores são castigados pelos nativos – havendo registro de mortes – e, por vezes suas embarcações são queimadas. Revides de igual intensidade são promovidos pelos transgressores, que contam também com o apoio de sua respectiva comunidade.

Que as autoridades acordem, saiam da letargia e assumam suas responsabilidades constitucionais para que não venhamos a lamentar novas tragédias.

Fonte: Jornal O POVO

Um comentário:

Emilio Konrath - Catamaram Mås disse...

Parabéns ao Jornal O Povo pelo editorial.
A situação é exatamente esta que está colocada, e faltam as providências que ali são cobradas.
Tomara que as "otoridades" acordem antes que uma tragédia de grandes proporções aconteça, e creiam que ela pode acontecer.