quarta-feira, 22 de setembro de 2010

"Guerra da Lagosta" volta a ser destaque na mídia cearense


Mais uma vez, o município de Icapuí é destaque nos principais jornais cearenses. A ação da Polícia Federal realizada ontem (21/9) na comunidade de Redonda, que resultou na apreensão dos barcos utilizados na fiscalização da pesca irregular, foi noticiada em primeira-mão por este blog "acidadeicapui". Logo em seguida, o jornal O Povo Online publicou matéria sobre o ocorrido tendo como base as informações colhidas por nós. 

Hoje, o Jornal Diário do Nordeste, traz notícia detalhada sobre esta operação da Polícia Federal, que reproduzimos aqui:
Diário do Nordeste (22/09/2010)
PF apreende barcos em Icapuí
Ação rápida e enérgica da Polícia Federal resultou na apreensão de barcos de pescadores da Praia da Redonda

Icapuí. Tiros e confusão romperam, mais uma vez, o silêncio no litoral de Icapuí. Em mais um episódio da Guerra da Lagosta, a ação surpresa da Polícia Federal e da Marinha ocorreu no início da manhã de ontem. Quase 100 homens desembarcaram na Praia de Redonda apreenderam os dois barcos que os pescadores artesanais utilizavam, por conta própria, para a fiscalização contra a pesca predatória, predominante na região.

Houve bate-boca e repressão por parte dos policiais, que jogaram gás lacrimogêneo apesar da presença de mulheres e crianças no grupo. Revoltados, os "redondeiros" da pesca artesanal pedem que a Polícia também "tenha competência" para apreender os equipamentos dos pescadores "ilegais", principal motivo do conflito.

No episódio anterior da Guerra da Lagosta, o Caderno Regional falou sobre a mobilização de comunidades para ajudar Francisco Assis Cruz, o "Assis da Redonda", motorista que teve seu veículo alternativo incendiado por pescadores que defendem a pesca predatória como revide à ação de pescadores da Redonda que haviam apreendido mais um barco ilegal. Não tendo nenhum envolvimento com os dois lados da briga, ser da Redonda foi o pecado a condenar seu Assis.

Ainda era madrugada quando, dezenas de agentes da Marinha e da Polícia Federal, com armas em punho, seguiam na captura das embarcações Monsenhor Diomedes I e II. Os barcos eram a principal "arma" dos redondeiros contra os pescadores ilegais. Era com esses barcos que os pescadores de Redonda faziam a fiscalização contra a pesca ilegal com marambaias e compressores para mergulho. A fiscalização é uma atribuição do Ibama, mas o próprio Instituto reconhece a carência de equipamentos e pessoal para cobrir os mais de 500km de costa.

Ontem era dia de buscar lagosta, e os pescadores artesanais tinham seguido ainda de noite para o mar, antes da operação policial. Com exceção dos poucos pescadores que estavam em terra, a comunidade estava povoada de mulheres e crianças. Quando avistaram as embarcações da Marinha se aproximando, alguns homens tentaram subir nas embarcações Monsenhor Diomedes.

Em terra, dezenas de agentes em cerca de dez carros obrigaram os pescadores a se afastarem do objeto que seria apreendido. Na confusão, houve gritos, e tiros com balas de borracha foram disparados. Para intimidar o início de revolta, os policiais ainda jogaram uma bomba de gás lacrimogêneo, de efeito moral, mesmo num ambiente tomado de esposas e filhos dos pescadores.

Dois dias antes, na madrugada de sábado para domingo, na ausência de fiscalização do Ibama, os pescadores da Redonda, armados e viajando nas embarcações Monsenhor Diomedes I e II, fizeram a apreensão da embarcação Números, que fazia a pesca predatória, utilizando mergulho com compressor, equipamento proibido pelo Ibama. O barco é de propriedade do pescador Sandro José da Silva. Os tripulantes confessaram ter jogado, assim que avistaram os redondeiros, cerca de 200kg de lagosta no mar, capturados com compressor feito com gás de cozinha. O barco juntou-se a outros dez capturados e encalhados na praia, de um total 13 que já se haviam apreendidos desde que os redondeiros decidiram assumir a fiscalização por conta própria. Os pescadores ilegais, para não terem o risco de serem linchados pela população, foram abandonados na Praia de Peroba, de onde tomaram o rumo da comunidade de Quitéria, vizinha a Tremembé, que juntamente com Barrinha constituem os principais pontos de pesca predatória em Icapuí.

"A Polícia Federal pegou os barcos, mas devia fazer o mesmo com a pesca ilegal, porque as embarcações que eles levaram era o meio do redondeiro combater a pesca predatória que o Estado não consegue exterminar", afirma Maurício Valente, da Associação Comunitária Monsenhor Diomedes, na Praia da Redonda.

Ontem à tarde os pescadores artesanais reuniram-se em assembleia para pedir a devolução dos barcos e mais fiscalização da pesca predatória. Durante toda a manhã de ontem, e até o fechamento desta edição, a reportagem tentou contato com a Polícia Federal, em Fortaleza, pelos telefones do Gabinete da Superintendência e da Assessoria de Comunicação, mas não obteve retorno.

Fique por dentro 
Guerra da lagosta
É o conflito sangrento que tem preocupado autoridades públicas e, principalmente, as comunidades de Icapuí. A "guerra" é entre pescadores artesanais, que utilizam equipamentos permitidos por lei, e os "alternativos", ou predadores, que usam equipamentos ilegais. Para combater a pesca predatória, os legais fiscalizam por conta própria os ilegais, causando revolta destes, visto essa vigilância ser responsabilidade do Ibama.

MAIS INFORMAÇÕES 
Associação Monsenhor Diomedes, (88) 3432.3140
Superintendência da Polícia Federal no Ceará, (85) 3392.4867


Melquíades Júnior

3 comentários:

DRAK disse...

Na minha opinião, a Policia Federal fez mais que certo. Pois não acho correto os redondeiros apreenderem irregularmente embarcações e muito menos violentar e atirar em pais de família que embora seja contra lei, pescam irregularmente para buscar seu sustento, que no meu ver e melhor que roubar!
Acho que tem que haver sim fiscalização. mais dos órgãos competentes como o IBAMA.

By: Alunos de Tremembé, que estudam na escola Gabriel Epfânio.

ClaudiMar Silva disse...

Prezados Alunos,

É muito bom saber que vcs, estudantes da Escola Gabriel, têm uma opinião formada sobre esse assunto tão delicado.

A Escola Gabriel reúne muitos alunos moradores das comunidades envolvidas nesse conflito, o que seria uma ótima oportunidade de promover um debate na própria escola para discutir o problema e alternativas para solucionar ou amenizar os conflitos.

Sugiram isso aos seus professores.

Obrigado pela participação no blog, e Abços a todos!

Claudimar Silva
Editor

talyson disse...

Isso é pouco...axo q ainda estou sonhando q esse dia chegou.


ainda bem q a PF fez isso, ate q em fim uma coisa certa foi feita.
isso ja era pra ter acontecido faz tempo, por causa dessa confusao tem gente ainda no hospital se recuperando...
de tiros q levaram desses vagabundos q so vao pro mar encapussados,bando de covardes.
ta ai vao agora pegar agoras os pescador de Navio ou de Lancha.
ta ai agora tem de q vçs irem...
Covardes.
vçs num sao donos do mar...
quem tem q tomar as provodencias sao as lei maiores nao vçs inuteis.