quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Artigo: “Tudo no universo conspira a nosso favor”, ou contra.

Por:  Clotenir Rabelo

Diante de ocorridos estranhos nos últimos tempos em nosso município, do alto de minha mania de observar e “meditar no coração” todas as coisas ao meu redor, tenho me convencido de que há qualquer coisa de ruim paira sobre nossas cabeças. Tenho me inquietado e rezado sobre esses fatos, e procurado encontrar respostas, ainda que incompletas. Nesse exercício, frases e ditos diversos me vem à tona como: “o universo todo conspira a nosso favor”, “para toda ação há uma reação”, “a bruxa desceu e encostou a vassoura”, “tudo que sobe, desce”, “a gente colhe o que planta”, entre outros tantos nessa direção.
O fato é que, atentem, de um passado recente para os dias atuais, há um “que” de energia negativa perpassando nossos dias, se é que se pode dizer assim. São mortes repentinas de pessoas queridas nos visitando, são acidentes graves “colhendo” vidas jovens, são ocorrências como “quedas de paredes”, são problemas de saúde acometendo pessoas amigas, são as visíveis situações de dependência do crack tomando gente muito próxima de nós, são rixas e rachas entre históricos relacionamentos de amizades, companheirismos, vizinhos, até de irmãos e famílias, enfim, um leque de situações extenso que nesse texto não abarca. Todas elas, suscetíveis de ocorrerem em qualquer lugar, mas que aqui vem vindo com intensidade assustadora.


Uma coisa é certa: nossa cidade não goza mais de um clima que lhe era peculiar, regado a alegrias, sonhos, serenidades, boas relações, apaziguamentos, tranqüilidade, naquele movimento bucólico e gostoso de viver. Pelo contrário, temos acordado e dormido ultimamente assustados com tais ocorridos.
Evoquei os ditados logo acima em função de que, quando reflito sobre isso só consigo visualizar como suposta explicação o que é revelado por uma imagem construída num texto de Leonardo Boff, teólogo renomado, que explica nossa vivência na terra, e o próprio mundo como um grande organismo vivo, onde tudo está interligado, articulado, interferindo nos demais aspectos, por uma relação intrínseca, simbiótica, onde tudo se agrega e compartilha ações, impactando uns nos outros, como uma rede de relações dependentes. O filme “Avatar” toca nessa idéia, ao revelar a intensa relação de todos os seres vivos, naquele ambiente fictício, tudo muito energeticamente vinculado.
Nesse rumo, me arrisco em pensar que o que passamos são, na verdade, impactos, refluxos, reações, respostas do universo em que vivemos, a cidade de icapuí, que desde algum tempo vem cultuando a divisão, estimulando a ruptura entre as pessoas, estabelecendo maus desejos uns com os outros, favorecendo posturas de ódio e brigas, provocando facções entre grupos, num todo, numa onda de maus sentimentos e práticas de relações que por onde passa leva tudo, inclusive o respeito, o amor, a solidariedade, a compaixão, a amizade, a paz, o perdão, especialmente, e tudo que é bom cultuar para manter nossas vivências em equilíbrio.
Penso que não exagero em dizer tais coisas, porque tem sido isso que escuto em muitos locais, a insatisfação do mal estar instalado nesse município. Além disso, como já tratei em outro artigo, tudo isso ocorre na esteira de uma forte “tristeza” que vigora nos rostos e falas das pessoas, nas ruas, nas praças, nas rodas de conversas. Como se nos tivesse extraído esse bem.
Tudo isso junto, acredito, tem uma força enorme, e impacta nas vidas, nas paredes, nos trajetos, nos movimentos, nas ações, bem ao modo que ocorre com um cristal sob a força de um som intenso, que explode em pedaços diversos. O contrário é igualmente verdade: se cultivássemos bons sentimentos, na contramão do que vem sendo estimulado, as reações em nós seriam sim de muitas coisas boas. Reinstalando o clima de paz e alegria na cidade.
Talvez seja tudo bobagem o que digo, mas esse é o convite dessa reflexão: que a gente reconstrua o que foi perdido, cultuando o bem, a paz, o perdão, o amor, o respeito. Reative as amizades, reconstrua as relações perdidas, refaça as práticas de solidariedade, sem divisões, sem grupos, sem facções. Como pessoas dessa cidade, no mesmo barco, na mesma história, por um município mais feliz. Aliás, felicidade é outra coisa que precisa ser refeita entre nós. Desse modo, este “organismo” (Icapuí) vai sentir-se mais saudável e tudo voltará a reger-se de forma harmoniosa.

2 comentários:

Prof. Mauro disse...

Gostei muito do texto. Essa é uma reflexão profunda e poética, onde o autor aponta nas entrelinhas do textos aquilo que se configura hoje em nossa cidade. Uma cidade que a alguns anos era feliz, próspera, autera, e, agora encontra-se estática, triste, atrasada e o pior de tudo desunida. Acorda povo de Icapuí, vamos novamente tomar a direção dessa barca que está a deriva.

Adolfo Maia disse...

O texto de Clotenir, bateu fundo em nossas mentes, porque também quem concordo. Como se diz o velho ditado: Quem semeia vento, colhe tempestade!

Vemos hoje uma cidade dividida pelo ódio e pelo rancor!

E com o abandono que a prefeitura fez do povo, passamos a viver como na epoca que eramos distrito de Aracati. Faça o comparativo e verão que coisas parecidas acontecem agora.

O prefeito Irmão Edilson que tanto reprovou tanto a gestão passada, que está fazendo as coisas que existia em Icapuí antes de torna-se cidade. Ele é o principal responsavel pela essa escalada de odio que a cidade passa, pois foi ele que incentivou em sua eterna campanha desde 2004. E o mais agravante é que ele inicia a questão e foge da responsabilidade de resolver os problemas da cidade, que muitas vezes foi ele proprio o causador.

Acabou o discurso que Irmao Edilson nao fazia ou nao resolvia por causa de debitos e outras coisas das gestão anterior, pois agora a gestão anterior é a dele, já que foi re-eleito.

Mas ainda tem tempo de trabalhar para fazer o que ele prometeu em 2004, que o governo dele seria de Mudança, de União e Desenvolvimento. Basta fazer uma coisas simples, trabalhar e mais ainda mostrar que está trabalhando. Não com apenas discursos inflamados que misturam politica e religião, mas com mostrar trabalho com ações e que ele seja visto na Prefeitura e na cidade mais fortemente e não somente em velorios e eventos, como ele faz agora.