quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Defesa Civil avalia estragos causados pelo avanço da maré em Icapuí

Icapuí decretará situação de emergência e construirá obra de contenção do avanço do mar
 
Hoje à tarde, técnicos da Defesa Civil do Corpo de Bombeiros do Estado do Ceará, visitaram junto com o vereador Lacerda Filho (PSDB) a faixa de praia compreendida entre Requeguela e Redonda, em Icapuí, para conhecer e avaliar a destruição causada pelo avanço da maré, que se intesificou recentemente provocando o desabamento de várias residências. Os técnicos puderam ver de perto o estrago causado pelas ondas e a situação de risco que muitos moradores enfrentam diariamente.

O Governo Municipal vislumbra a construção de um paredão para contenção do avanço do mar nessas áreas, contemplando principalmente os pontos onde existem moradias. A ideia é adotar a mesma técnica utilizada na praia do Icaraí, em Caucaia - CE, chamada de "bag wall", que enfrenta os mesmos transtornos causados pelo avanço do mar. Para isso, já dispõe de recursos financeiros da ordem de 8 milhões de reais, de um total de 30 milhões de reais, assegurados pelo Deputado Federal José Airton (PT). O projeto irá prevê a construção de estrutura para conter o avanço do mar, calçadão e passarelas para incentivar a atividade turística no município. O avanço do mar já forçou várias famílias a desocuparem suas casas, sendo realocadas em outros espaços. Outras famílias ainda correm o risco permanente de perderem seus lares e, por isso, essa obra estrutural tem caráter urgente. 

A visita da Defesa Civil tem o objetivo de preparar um laudo técnico, diante das condições de periculosidade em que essas famílias habitam e da já esperada intensificação do avanço do mar, para a decretação de estado de emergência pelo município de Icapuí. Esse decreto é fundamental para agilizar o processo de liberação dos recursos e início das obras. 

A seguir, veja como estão as praias mais atingidas pelo avanço da maré:

Praia de Barrinha de Mutamba
"O mar é o meu quintal..."


A praia da Barrinha de Mutamba é a mais atingida pelo avanço do mar em Icapuí. A faixa de areia que antes tinha espaço de sobra até para um campo de futebol e uma quadra de esportes, hoje se resume a destroços de casas, pedras soltas e ruínas que ainda resistem a força da maré. Na foto acima, uma cena curiosa: Dona Rosa faz do mar o seu "quintal" e lava suas roupas no pequeno espaço entre sua casa e o mar. A residência dela  fica no trecho onde aproximadamente 25 famílias sofreram perdas. Algumas foram morar com outros familiares, outras alugaram casas em local mais afastado. As famílias que relutam em abandonar o local, por não terem condições financeiras de construir outra casa, encaram o perigo da força do mar. Segundo moradores, próxima semana as ondas começam a crescer e durará até meados de janeiro - mais estragos já é esperado.
Nesta outra foto, o Capitão Pedro Catanho, da Defesa Civil, caminha sobre as pedras colocadas pelos próprios moradores, onde antes havia uma quadra de esportes, ao lado da escola que também corre o risco de ser "engolida" pelo mar. A comunidade recentemente promoveu um multirão para criar barreiras de contenção da maré, mas a medida não foi suficiente. Em períodos de maré alta, ela avança por trás dessa barreira e invade os terrenos que ficam por trás das residências. Devido a baixa altitude desses terrenos, as águas do mar adentram na comunidade e ameaça deixar os moradores isolados.

Praia de Peroba
Coqueiros e calçamento são levados pela maré

Na praia de Peroba, o calçamento construído há pouco tempo jfoi praticamente todo destruído pela força da maré. Muitos coqueiros não resistem a ação do mar e cedem. Nesse trecho da praia, estão localizados pousadas e casas que correm risco de serem atingidas nas próximas marés. Algumas destas casas já estão com o acesso comprometido, já que a erosão causada pelas ondas impede a circulação de veículos. A solução é "escalar" o amontoado de pedras reviradas.

Praia de Redonda
O avanço do mar chegou na "Boca do Povo"
Na praia de Redonda, os mais afetados são os donos de barracas. A comunidade é uma das que mais recebe turistas. Além da simplicidade dos moradores e das belezas naturais, Redonda conta com uma boa estrutura para atender os visitantes. Toda essa estrutura corre o risco de desabar, já que o mar já chegou a encostar no paredão construído também há pouco tempo, junto com o calçamento e o ponto de encontro dos moradores, conhecido como "Boca do Povo".

Podemos observar na foto acima que, algumas casas da praia de Redonda ficam bem próximas a erosão causada pela maré. A estrada que cruza a praia em toda sua extensão já apresenta trechos destruídos e a tendência é o mar avançar essa faixa e atingir as residências. A preocupação maior é que isso afete o turismo na comunidade, umas das principais fontes de renda.

Quitérias, Requenguela e Barreiras da Sereia
Eterna briga com o mar...

Mais três praias sofrem constantemente com o avanço da maré. Em Quitérias, que fica praticamente no mesmo nível do mar, algumas residências já foram atingidas. Em Requenguela, em período de maré grande, as ondas chegam a atravessar a estrada que liga a praia às demais localidades do município. Na área do manguezal, onde foram construída algumas casas e barracas, o mar também deixou suas marcas de destruição. Em Barreiras da Sereia (ou Barreiras de Baixo), muitos moradores decidiram construir outras casas na parte alta, conhecida como serra. Porém, a maioria ainda permanece no local e convive com a ameaça de verem suas casas levadas pelo mar a qualquer momento.

Barreiras de Cima
Aqui, o mar deu uma trégua...

A praia de Barreiras de Cima já viveu seus momentos de "invasão" do mar. As temidas "marés de janeiro" amedrontavam a população, quando ultrapassavam o calçadão construído entre as casas e as dunas, que reduziram de tamanho permitindo que o mar chegasse bem perto das casas. Porém, um fenômeno fez com que o mar recuasse sozinho, as dunas rescussitaram e nasceu uma vegetação que aparentemente "segurou" a areia. A praia hoje tem uma distância entre as casas e o mar razoável e há alguns anos não sofre com o avanço do mar. Em época de maré alta, o máximo que ocorre é a formação de lagoas sobre as dunas. O mesmo ocorre em períodos de chuva intensa, mas nada que prejudique a comunidade.

"Vamos rezar pra maré não avançar..."

Já dizia o poeta Azarias em uma de suas canções. A previsão do artista deixa claro que o avanço da maré não é um problema recente. Historicamente, quase todas as cidades litorâneas já enfrentaram problemas como este. Construções irregulares, ocupação desordenada da faixa costeira e movimento natural do mar e das dunas são alguns dos fatores responsáveis por esse fenômeno. Portanto, o homem tem grande parcela de culpa nesse processo de disputa de espaço com a natureza. Mas, diante de uma calamidade como essa, é dever do poder público assistir a população e assegurar o direito a habitação e a segurança.
Sabemos que a burocracia em nosso país, principalmente na esfera governamental, emperra o andamento de obras importantes como o paredão de contençao do avanço do mar em Icapuí. A Prefeitura de Icapuí, aguarda o relatório da Defesa Civil para requerer a anuência do Governo do Estado do Ceará para a determinação de situação de emergência. Essa medida é imprescíndivel para a agilidade na construção da obra, que exige além de estudos técnicos e análise de impacto ambiental, uma corrida contra o tempo e contra a maré.

Por Claudimar Silva
 

3 comentários:

Rudrigo Maia disse...

Parabéns Claudi Mar pela matéria 10...

Marquinhos disse...

Muito impotante este projeto de contenção para evitar o avanço do mar em Icapuí, muitas pessoas estão passando por transtornos devido a este avanço. Só acho que o Sr. Prefeito eleito era que deveria fazer este acompanhamento, e não apenas um vereador.

Francisco disse...

Ele deve estar "viajando" a procura de recursos para o municipio, no caso do vereador deve estar compensando suas ausencias nas sessões da Camara Municipal local para o qual foi eleito mas mutio pouco aparece. Deve ser genetico...