quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Barrinha de Mutamba - o risco que vem do mar

Moradores cansados de promessas lutam contra o avanço do mar

Centro de Educação Infantil onde o muro caiu
Apreensão, medo e desilusão são sentimentos que os moradores da Barrinha de Mutamba, em Icapuí, têm diante dos problemas sofridos pelo avanço do mar nos últimos anos. Mais de vinte metros de faixa de areia foram engolidos pelo mar durante esse período. O mais recente capitulo deste drama foi a queda do muro do Centro de Educação Infantil da comunidade no dia 3 de janeiro último.

O mês de janeiro concentra as maiores marés do ano, influenciadas pela força gravitacional da lua cheia. Esse aumento de tamanho das ondas provocam a ressaca do mar, previsto para os dias 20 e 21, o que começa a preocupar as pessoas que vivem naquela comunidade. Elas têm medo de que o mar derrube as poucas casas que ainda conseguiram se manter de pé, e que atinja o calçamento em paralelepípedo da principal rua da Barrinha. Os moradores ainda sofrem quando lembram dos acontecimentos do ano passado, que derrubaram várias casas na comunidade deixando várias famílias desabrigadas.

A população alega está desiludida com os políticos e com o poder público, que praticamente nada fez para ajudá-los. Os que por lá passam, derramam promessas de investimentos em obras para conter o avanço da maré. A Prefeitura prometeu construir casas populares para os moradores desabrigados pelo mar em 2009,  porém, até hoje essas casas não saíram do papel. Outra promessa era o pagamento de um aluguel social às pessoas prejudicadas, enquanto as tais casas fossem construídas. Mas, segundo alguns moradores, a Prefeitura de Icapuí nunca deu um centavo e que as pessoas estão fazendo sacrifícios para poderem pagar esses aluguéis. Muitos fazem esse esforço na esperança que o poder público municipal tome uma atitude sobre as construção dessas habitações.

Poucos metros separaram
o barranco e a escola
Depois da construção do paredão de contenção do mar em Barreiras da Sereia, os moradores da  comunidade de Barrinha ficaram animados. Era um aviso de que algo começara a ser feito para evitar maiores estragos causados pela maré. No entanto, o tempo passou e com ele o vislumbramento de terem  obra semelhante em sua praia.

O muro do Centro de Educação Infantil foi derrubado recentemente com a força da maré. A força das ondas abriram uma cratera a poucos metros da escola. O medo dos moradores é que com as próximas marés, a escola seja atingida e venha a desabar. Moradores dizem que algumas carradas de pedras seriam suficientes para agüentar a força da maré e preservar o prédio público. Tem-se notícia que esta escola será desativada no ano letivo de 2011, sendo as crianças transferidas para o Centro de Educação Infantil de Serra de Mutamba.

área em que o mar retirou a duna
deixando desprotegida as vazantes
Outro problema a ser enfrentado é a invasão das águas marítimas nas áreas de vazantes. O avanço do mar   retirou a areia das dunas que faziam proteção nas extremidades da comunidade. Isso permitiu que as ondas dêem a volta por trás de algumas casas, contornando a parte habitada, invadindo áreas mais baixas perto  da estrada que liga a comunidade ao bairro de Mutamba. Esse alagamento, junto com as águas das chuvas que já começam a cair, provocariam um isolamento total dos moradores.

Mas nem tudo está perdido. No ano passado, no período de ressaca do mar, houve um pequeno recuo no lado leste de onde ficava o campo de futebol. Para os moradores, a justificativa foi o surgimento de um pequeno canal, criando naturalmente uma barreira que ameniza a força das ondas. Mas, a preocupação ainda é grande com o outro lado. Nessa parte, o mar avançou bastante e foi preciso derrubar casas que corriam risco de desabar. É justamente nesse local onde está o prédio do Centro de Educação Infantil.
Area que será mais afetada
com a ressaca de janeiro


Soluções em andamento


Recentemente o Deputado Federal José Airton, em entrevista na rádio FM Educativa, afirmou que já estava liberada a primeira parte dos recursos necessários para construção do muro de contenção. A verba total é de  cinco milhões de reais. Desse montante foram liberados 2,3 milhões de reais, sendo necessário a realização dos trâmites burocráticos, tais como envio do projeto e licitação da obra, para que obra possa ser iniciada. Além disso, foi decretado situação de emergência após laudo técnico da Defesa Civil que esteve no local averiguando a situação.

Outra boa notícia para os moradores da Barrinha veio do vereador Lacerda Filho. Através de seu perfil no Twitter, o vereador informou que esteve ontem (11/1) na Caixa Econômica Federal para tratar sobre as 30 casas que foram contempladas dentro do projeto "Minha Casa, Minha Vida" para a comunidade de Barrinha.   Estes recursos serão liberados já no mês de fevereiro.

Enquanto isso...

Enquanto não chegam nem muro de contenção nem casas, os moradores convivem diariamente com a incerteza sobre o destino da comunidade de Barrinha. Caso essas obras não sejam feitas rapidamente, o avanço do mar pode causar estragos maiores e invadir completamente a comunidade. Para os que tem condições financeiras de reinstalar suas famílias em outros locais, o tempo, o mar e as promessas não fazem a menor diferença. Já os que mal possuem condições de subsistirem, ficam olhando para o céu e para o mar rezando para que as águas dêem uma trégua ou que as promessas sejam cumpridas, antes que restem apenas suas orações em meio a tantos escombros.


Por Adolfo Maia | Claudimar Silva
Fotos: Adolfo Maia

4 comentários:

Rabelo, C.D. disse...

Parabéns meninos! Orgulho-me da capacidade de vocês! òtima matéria!

Caminhos do Turismo pelo Turismólogo disse...

Faço minhas as palavras do leitor, Rabelo. Independente do teor da matéria, é sempre gratificante vir aqui.Pelo profissionalismo irrretocável de vocês´e pela beleza das palavras. Saio sempre mais cheia de satisfação e informação.
Sou fã!

ClaudiMar Silva disse...

Obrigado Clotenir,

O mérito maior fica para Adolfo Maia, que visitou o local, tirou fotos e conversou com a população atingida. Ele colheu depoimentos comoventes de quem sente na pele a dor de ver suas casas sendo engolidas pelo mar.

Que o poder público atente para a grave situação da Barrinha e corra contra o tempo.

Abços!

ClaudiMar Silva disse...

Obgdo querida Eliane,

Clotenir Rabelo também é colaborador do blog, e aqui acolá, nos deleita com artigos deliciosos de ler e refletir.

Obgdo por seu carinho conosco.

Abção!