domingo, 6 de março de 2011

Artigo: CARNAVAIS DA SAUDADE

Escrito por Robson Almeida
Mestrado em Educação Brasileira (UFC);
Professor do Curso de Música da Universidade Federal do Ceará (UFC);
Ex-maestro da Banda de Música de Icapuí.

Nos últimos anos o carnaval brasileiro vem passando por modificações no que se refere a música que o acompanha. São vários ritmos: axé music, samba, funk, rock, frevo e há aqueles locais que existe o carnaval multicultural, que é a soma de vários ritmos musicais.

Ao se falar em carnaval algumas cidades se destacam pela sua tradição e beleza cultural, como é o caso do Rio de Janeiro com o desfile das escolas de samba, Recife, com seu frevo marcante e a Bahia com o axé music. O que ocorre no resto do Brasil, portanto, é simplesmente copiar a música e o ritmo dessas cidades. Ou ainda se utilizar de músicas da indústria cultural, da mídia, para promover um carnaval musicalmente “descartável”.

Icapuí, em minha opinião, se enquadra nesta última. Talvez eu seja suspeito para falar deste tipo de música “descartável” ocorrente no carnaval icapuiense, mas a verdade é que estas músicas não retratam a cultura e tradição, nem de nossa cidade, muito menos dos carnavais de Icapuí.

Como diz a música de Emilinha Borba “quem parte leva saudade de alguém que fica chorando de dor”, o verdadeiro carnaval partiu e deixou muitos foliões na saudade. Este carnaval que partiu tinha desfile dos blocos de icapuí, marchinhas carnavalescas, frevos, fantasias e várias outras características que nos faziam sentir que realmente estávamos no carnaval, sensação esta que era ceifada somente pelo sol da quarta-feiras de cinzas.

Neste carnaval que nos provoca saudades tinha cabeleira do Zezé, as vassourinhas com seu frevo quente, o balancê de a filha da chiquita bacana e da Mulata iê, iê. Tinha também a pipa do vovo não sobe mais, mas subia com bandeira branca, quando cantavam-se mamãe eu quero mamar..., ao se jogar confetes e serpentinas no Pierrot e na colombina. Os blocos de Icapuí desfilavam na Av. Newton Ferreira cantando Ó abre-alas que eu passar junto com o Samba do Fayal: que trouxe o samba pra cantar.

Esse é o carnaval que muita gente queria de volta e talvez em Icapuí não irá mais voltar...

5 comentários:

Professor Wellington Pinto disse...

O carnaval de Icapuí nunca teve essa tradição secular como outras cidades possui..., Aracati que tinha um carnaval tradicional aos poucos se rende ao estilo baiano como outras cidade do Brasil. Em Icapuí até o exato momento não vi uma banda de qualidade que resgate aquelas marchinhas antigas.É uma verdadeira lataria, um paredão consegue ser melhor que o trio em termos de qualidade de som.Temos um maestro que poderia ser consultado quanto as músicas que iriam rolar no carnaval de Icapuí, no entanto só improviso.Senso crítico dos foliões não é de se esperar, todos ébrios, bater no lata vão dizer que é música.Perdemos mais uma vez a oportunidade de fazer um carnaval cultural.Quanto ao bloco faial continua sendo um bloco de poucos, não é uma agremiação popular.Dedé Teixeira teria condições financeiras de fazer um carnaval de época, paralelo ao oficial, dando a todos a oportunidade de participar.

Monna disse...

Não alcancei esse tempo aqui em Icapuí, mas com certeza deve ter sido infinitas vezes mais divertido e culturalmente mais importante do q os carnavais contemporâneos! Ambos têm o seu charme, mas o caranaval de hoje se tornou tão somente festa como outra qualquer...

marquinhos disse...

Maestro Robson, seu artigo esta maravilhoso. E isto mesmo que esta acontecendo com o nosso carnaval.

Rabelo, C.D. disse...

Alinho-me ao seu pensamento Robson, especialmente porque há algum tempo muitas das expressões locais, não somente nosso carnaval, vem definhando frente a uma sorrateira e intencional "morte da memória". E perda de memória, em todos os casos, destroe a identidade.

Anderson disse...

Adorei o texto viu Robson, concordo plenamente com o seu ponto de vista! Pelo menos ainda existem pessoas que ainda acreditam nas coisas boas que a vida proporcionava!