domingo, 27 de março de 2011

Diário de Natal: Os doces frutos da agricultura potiguar

Fruticultura irrigada gera divisas e transforma a realidade de pequenos e médios produtores no Oeste Potiguar
Região entre a divisa do Rio Grande 
do Norte e o Ceará concentra a 
maior produção de melão do mundo 
Foto: Luiz Freitas/DN/D.A Press
Dos escombros daquela que foi a maior empresa de polpas de frutas do país, o Oeste Potiguar renasce como uma região produtiva e de enorme potencial. A fruticultura irrigada fez da divisa do Rio Grande do Norte com o Ceará, entre os municípios de Mossoró, Tibau, Icapuí e Aracati, a maior área produtora de melão do mundo, com uma produção média de 200 mil toneladas por ano. Com o uso intensivo de pesquisa e tecnologia, pequenos e médios produtores, além de assentamentos organizados, aproveitam as condições favoráveis da região para aumentar sua produtividade, diversificar suas plantações e exportar, provocando uma mudança positiva no cenário local, com incremento do emprego e renda.


Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento (MDIC), em 2010, o melão foi o segundo produto com maior participação nas exportações potiguares, com 71,46 mil toneladas exportadas, rendendo ao estado US$ 45,708 milhões, hoje cerca de R$ 75,418 milhões. A qualidade, sabor, doçura e exotismo do melão e de outras frutas brasileiras vendidas lá fora são grandes atrativos e fontes de divisas.

Mas nem tudo é motivo de festa. Com o fortalecimento do real frente ao dólar, o setor convive com um cenário de diminuição dos lucros e fala-se em crise. Ao mesmo tempo, luta contra a dependência da Europa, o seu maior mercado consumidor e que vem vivendo momentos turbulentos na economia, provocando uma queda estimada em 20% no consumo de frutas e impactando receitas. Soma-se a isso, a concessão de incentivos fiscais no Ceará, o que barateia o produto e faz com que o estado vizinho tenha exportado quase 30 mil toneladas a mais em 2010.

Na última quarta-feira, por ocasião do lançamento da 15ª edição da Feira Internacional da Fruticultura Irrigada (Expofruit), promovida desde 2003 pelo Comitê Executivo de Fruticultura do RN (Coex), em parceria com a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) e o Sebrae foi organizado um tour com jornalistas por cinco fazendas produtoras da região, para conhecer de perto os frutos que estão sendo colhidos em solo potiguar. "Há uma necessidade de aproximar os consumidores da agricultura irrigada da região. Nosso mercado consumidor não está em Mossoró", justifica o reitor da Ufersa, Josivan Barbosa.

A Expofruit ocorrerá de 8 a 10 de junho, no campus da Ufersa, em Mossoró. A expectativa é de que o evento movimente R$ 18 milhões. "É um momento importante para o setor, onde as atenções estão voltadas para a produção. A feira congrega em um só local toda a cadeia produtiva. Poderíamos fazer uma feira institucional, mas este é um evento de cunho empresarial", afirma o diretor-presidente da Coex, Segundo de Paula.

A atividade, que conheceu altos e baixos e tem sua história atrelada à ascensão e queda da Maisa, emprega hoje mais de 15 mil trabalhadores formais na região. O melão é o carro chefe da produção, mas a diversificação tem sido buscada e cresce o número de plantações de outras culturas. "Hoje a produção não é mais verticalizada, não se produz só o melão. Os pequenos e médios produtores estão ocupando os espaços das grandes empresas e se adaptando aos gostos e exigências do mercado", afirma Segundo de Paula.

Ele afirma que o RN ganhou respeito como grande fornecedor internacional por cumprir à risca as exigências internacionais em relação ao meio ambiente, pela qualidade de seu produto e por atender rigorosamente à demanda por frutas.

Para fugir da dependência européia, a Coex vem buscando novos parceiros comerciais, como a Rússia e os países árabes. "Temos marcado presença nas feiras internacionais e feito missões comerciais para esses países para conhecer o mercado local".

Outra frente de atuação é o estímulo ao consumo de frutas no país. Hoje, até 70% da produção de melão é vendida para o exterior. "A população brasileira não é acostumada a comer frutas. Queremos levar qualidade para a mesa do consumidor, uma alimentação saudável". Enquanto o consumo de frutas na Espanha por habitante chega a 50 quilos anuais, no Brasil essa marca não chega a três quilos. "É muito pouco, mas se aumentarmos esse consumo em 10% teremos um bom resultado".

Uma das conquistas do setor foi a conclusão do primeiro trecho da Estrada do Melão, que liga a RN-013 à BR-304. Antes, cerca de 16 mil toneladas de melão, ou 8% da produção, eram recusados devido a danos mecânicos durante o transporte. Com a entrega do primeiro trecho, de apenas 18 quilômetros, essa perda foi bastante reduzida. Cerca de três mil caminhões e carretas utilizam a via semanalmente. A luta agora é pela continuidade do 2º trecho, de 32 quilômetros.

Fonte: Diário de Natal

Um comentário:

jakeline disse...

Bom dia leitores!
Muito interessante e estimulante estas notícias!
Mas queria saber se usa muito agritoxicos nestas plantações?
E também se tem projetos de irrigação para poder aumentar as areas de plantações em outras regiões vizinhas?
Kristina de Hollanda
Praia de Redonda, Icapuí