sábado, 30 de abril de 2011

Artigo: Desabafo de um educador (in) feliz

Escrito por Wellington Pinto
Professor

Todo ano me deparo com alunos que chegam ao ensino médio deficientes de conteúdo, desconhecimento das regras gramaticais, falta de criticidade e indisciplinados. Por mais básico que seja um texto para análise os mesmos não conseguem decifrar a mensagem, e o pior é a preguiça de ler e escrever.

Quando aluno do colégio marista de Aracati me lembro que havia um incentivo muito grande pela leitura, meus professores de língua portuguesa; cabe aqui homenagear um deles, o professor irmão Adriano Sauer, batia muito na tecla que só se aprende português com muita leitura. Havia uma grande biblioteca na escola e os livros eram para emprestar, hoje as escolas públicas muitas não possuem bibliotecas, quando têm são livros sucateado, e o pior não tem um programa de incentivo à leitura, nem de empréstimo ao aluno. Os livros de aventuras que a biblioteca oferecia, li todos, chegava ao final do ano tendo lido mais de cinqüenta livros e havia entre nós disputa de quem lia mais livros, confesso, é prazeroso ler. No ensino médio quando fui estudar no colégio cearense em Fortaleza (marista) houve um incentivo de ler os clássicos da língua portuguesa. Hoje essa minha desenvoltura de escrever se deve a essas leituras que meus mestres tanto incentivavam.

Hoje na escola Gabriel (Icapuí-CE) não vejo mais os alunos se debruçarem em leituras, até os próprios professores de modo geral não vejo nenhum agarrado com uma obra literária ou mesmo de conhecimento da sua disciplina. Muitas vezes transparece que o que aprenderam na faculdade é suficiente para sua formação. Diante desse quadro entristecedor me vem à memória dois mestres das ciências exatas no colégio marista de Aracati, o irmão Carlos e o irmão Eduardo, duas sumidades na matemática. O irmão Eduardo quando recebia uma coleção didática de matemática lia o livro e fazia correções para o autor do livro e o mesmo (autor) devolvia o livro com as devidas correções e agradecia.

Na atual conjuntura educacional muito professores não gostam de ler, aqui e acolá pega o jornal, folheia a parte esportiva ou alguma notícia referente a salário da categoria, mas ler com sede de aprender novos conhecimentos são raros, estão em extinção. Se o aluno não ver o professor com livro na mão, não incentiva a leitura ou não faz um comentário de um livro que leu em sala, qual o referencial de leitura que o aluno vai ter? A nossa grande deficiência de alunos não alfabetizados é por causa da falta de leitura.

No ensino médio os professores culpam os professores do fundamental, na verdade todos nós somos culpados, alunos que terminam o ensino médio mais alienado do que chegou, semi-analfabeto, analfabeto político, incapaz de fazer um bilhete sem cometer erros de português é de se perguntar, que alunos cidadãos estamos preparando para o mundo?

A leitura não é sozinha a solução de todos os problemas da educação, mas uma coisa é certa, tira muita gente da ignorância, sejam alunos ou professores. O brasileiro ler pouco em relação a outros povos, por isso pagamos um preço alto, o atraso cultural. Não acredito no professor que não goste de ler, com todas essas mudanças nesses dias de globalização à leitura se faz necessária para o discernimento do que é certo e errado.

Fonte: Blog do Professor Wellington Pinto

2 comentários:

ClaudiMar Silva disse...

Professor Wellington,

Lembrei-de das aulas de "ditado" que tínhamos nas séries iniciais, onde a didática utilizada, semelhante a um jogo de acertos e erros, nos motivava a ler para conhecermos melhor as palavras e tirar boa pontuação nos testes. Mesmo assim, muitos colegas mostravam pouco interesse pelo hábito da leitura. Fico triste quando presencio algum erro grotesco, algum assassinato da língua portuguesa, inclusive por pessoas com nível elevado de formação acadêmica.

Concordo que o hábito de ler, adquirir conhecimento e interpretar um texto merece ser incentivado tanto pela escola quanto pela família. No entanto, essa sede por devorar livros é algo que surge naturalmente em algumas pessoas, que buscam praticar a leitura mesmo sem ter incentivo algum.

Na minha vida escolar básica, sempre gostei de ler tudo que via pela frente, e conservo esse hábito ainda hoje, principalmente diante da infinidade de meios de comunicação que temos a disposição. Acredito que o hábito de ler depende mais de cada um, do que deseja para sua vida, do que objetiva ser: uma pessoa dotada de conhecimento ou alguém de conteúdo zero?

O hábito da leitura reflete diretamente na qualidade da escrita, na observância das regras gramaticais e no desenvolvimento da ideia. Creio que isso me beneficiou bastante, onde o escrever transcorre com uma facilidade muito maior.

Agradeço aos professores que me inspiraram a trilhar esse caminho, inclusive o professor Wellington, com suas aulas de História!

Abços!

Prof. Mauro disse...

Acredito que a leitura é imprescindível para que o processso ensino-aprendizagem possa se efetivar com êxito. Gostaria de salientar que durante toda a vida escolar tive bons professores, e, lembro da época em que na Escola Gabriel produzíamos conhecimentos a partir de seminários, leituras, concursos, feira de ciências e em cada aula dada. Hoje vejo que a escola perdeu um pouco de seu potencial educativo. Não cabe aqui apontar culpados. Como ex-aluno e hoje professor posso com muita serenidade dizer que nossas escolas precisam ser mais enérgicas quanto ao rigor do ensino, e, mais ainda nós professores precisamos sair do pedestal e ir de encontro a uma nova forma de educar. Essa educação só será possivel de fato quando alunos e professores produzirem conhecimento a partir de leituras, debates e vivências. Sem isso a educação não ocorre em toda a sua pelnitude.