segunda-feira, 11 de abril de 2011

Artigo: Meio Ambiente Icapuí - O que fazer neste momento?

Por José Marcelo
Tecgº em Saneamento Ambiental e Rec. Hídricos

Dunas de Ponta Grossa - Icapuí/CE
Foto: ClaudiMar Silva
Há alguns dias fomos contemplados com mensagens emitidas pelas TIM em nome de uma ONG, a WWF-Brasil, pedindo aos Brasileiros para que no dia 26/03, “apagassem as luzes (num intervalo de uma hora) para ver um mundo melhor”. Eu ainda não conheço a verdadeira intenção desta iniciativa, porque em termos de melhorias ambientais isso não traz nada. Enquanto este marketing barato procura maquiar o que verdadeiramente está acontecendo com o planeta, dezenas de hectares de florestas virgens estão sendo devastadas em todo o Brasil, esgotos são lançados sem nenhum tratamento no solo e nos rios – queimadas – desertificação – solos improdutivos, derramamentos de óleo, emissão de gases tóxicos altamente perigosos no ar... (...). Consumismo, cada vez mais o consumo de produtos e cada vez mais degradação.

Há um bom tempo, desenvolvemos uma das mais eficientes formas de energia já criada, que não produz poluição e nem gera impactos ambientais, tanto nos processos de instalação como depois de já instalado os equipamentos sendo de grande aceitação pela sociedade. O que minha compreensão ainda não conseguiu entender é o fato da obtenção deste tipo de energia ainda ser tão caro. Veja bem, se um agricultor, por exemplo, quiser usufruir deste tipo de energia, haja vista a rede elétrica está muito distante de sua casa, ele não pode obter porque o preço elevado dos equipamentos é incompatível com a sua condição financeira. Eu falo da energia solar.

Por que não instalar energia solar em todas as casas, um projeto em que a população pagaria em longo prazo pelos materiais e instalação dos equipamentos e posteriormente pagaria apenas uma pequena quantia para manutenção dos mesmos. Poderíamos pensar que isto não seria possível porque estaria acabando com o sistema capitalista que gira em torno dos “benefícios” e da “necessidade” que é possuir energia através do atual sistema. A produção de energia é uma tida como uma necessidade monopolista de grandes empresários e não como uma necessidade de atendimento às necessidades básicas do povo em consonância com a melhoria das condições ambientais.

Em Icapuí está em debate a instalação de um gigantesco parque eólico.


Vamos procurar saber a quem interessa esta enorme quantidade de torres de energia eólica que, uma vez instalada, desconfiguraria para sempre a nossa paisagem natural. Para onde irá toda esta energia produzida? Pois, até onde eu entendo, seria necessário apenas uma ou duas delas para atender toda a demanda energética de nossa cidade. O que isso traria de positivo para o município? Nada! Os danos seriam irreparáveis. Icapuí ganha bem mais mantendo este aspecto natural intocável, utilizado-o com base em estudos de crescimento populacional, zoneamento urbano e plano diretor, embora este seja exigido para cidades acima de 20 mil habitantes, Icapuí é uma cidade litorânea que possui, assim como outras, índices de crescimento rápido, com muitos aspectos ecológicos relevantes e que precisam, antecipadamente, serem estudados e preservados.

As instalações dos parques eólicos trariam prejuízos ambientais e estéticos (à beleza cênica, por exemplo) irreversíveis a nossa cidade e o surgimento de uma visão diferenciada do turista que visita a nossa cidade. Icapuí seria visualizada, tratada e conhecida com outros olhos, passaria da cidade coberta por verdes coqueirais, símbolo cultural da cidade, a cidade das torres de energia eólica. Isso é um absurdo!

Temos assuntos de caráter bem mais básico e urgente que ainda não foram solucionados. Se os nossos representantes políticos se propuserem realmente ou prioritariamente trabalhar as necessidades fundamentais da população, eles deveriam pensar em outras coisas, como por exemplo:

A nossa cidade sofre com a falta de saneamento básico. Não temos estação de tratamento de esgoto, e os sistemas individuais compostos por fossas sépticas, são na verdade fossas negras, aquelas construídas fora dos padrões técnicos exigidos pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), ou simplesmente, em atendimento às condições mínimas de impermeabilização de fundo e paredes. Isto provoca elevados índices de contaminação do lençol freático por coliformes (organismos indicadores de contaminação fecal).

A nossa cidade sofre com a falta de um sistema de coleta de resíduos sólidos. Não possuímos aterro sanitário, e o que alguns chamam de aterro controlado é na verdade um lixão a céu aberto onde é introduzido todo tipo de lixo, inclusive o hospitalar. Os impactos que atingem o solo, o ar e as águas são de elevada magnitude.

A nossa cidade sofre com o abastecimento de água de má qualidade. Possuímos poços muito bons tanto em termos de qualidade como em quantidade, o problema pode estar no sistema de dosagem do cloro e como ele é aplicado, - Quem em Icapuí nunca bebeu água com aquele gostinho acentuado de cloro? E as dores de barriga? Alguns poços a parte, possuímos também poços na qual já foi detectada a presença alarmante de bactérias do grupo coliformes tanto na água bruta como na água tratada e isso traz sérios riscos á saúde da população.

Icapuí sofre com o crescimento desordenado. A legislação, Federal, estadual e principalmente a Municipal, não funciona em nossa cidade, ou funciona de maneira estranha ou equivocada em termos de compreensão dos textos. Não é preciso caminhar muito e vamos perceber a especulação imobiliária tomando conta das dunas, dos mangues, das encostas, entre outros locais onde a lei proíbe a implantação de tais estabelecimentos.

Os representantes políticos deveriam primeiro se preocupar em sanar os agravantes ambientais que possuem a nossa cidade, trabalhar naquilo que é básico, atender primeiro os anseios de seu povo antes de debater projetos gigantescos que comprometem mais ainda a sua história. O senhor Secretário de Meio Ambiente se pronunciou dizendo que "o governo (municipal) não é contra a instalação de usinas eólicas no município de Icapuí. Porém, essa instalação deve ser feita da maneira correta, obedecendo à legislação ambiental do município e considerando os aspectos de desenvolvimento sustentável, sem abandonar a valorização do nosso potencial turístico". Isso é fácil de expressar em palavras, agora dizer como isso é possível é outra história. Como executar um projeto desta magnitude com o pretexto de desenvolvimento sustentável e sem atingir a imagem cultural e histórica de nossa cidade? A nossa cidade nunca mais seria a mesma.

Vamos discutir e refletir, procurar entender sobre a verdadeira necessidade deste parque eólico a quem verdadeiramente isso interessa.

Possuímos muitas alternativas bem mais simples e sustentáveis:

Vamos usar energia solar. Temos sol o ano inteiro, representa energia limpa todos os dias e para todos os cidadãos.

Vamos trabalhar a educação ambiental de forma mais intensa nas escolas. A educação baseado no conhecimento/informação representa a base de tudo e início de um futuro melhor.

Vamos aderir ao sistema de coleta coletiva, trabalhando e tratando corretamente os resíduos sólidos, vamos passar a utilizar produtos recicláveis e também os já reciclados.

Vamos economizar água, pois encontrá-la de boa qualidade fica cada vez mais raro e difícil de tratar quando as mesmas ficam impuras devido ao fato de todos os dias serem jogados novos componentes sintéticos e complexos nos mananciais e no solo.

Vamos tratar melhor os nossos mangues e os demais componentes que formam este maravilhoso ecossistema, complexo e rico em biodiversidade, e que infelizmente, não lhes é dado, o valor que lhes é devido.

Vamos trabalhar de maneira proveitosa e inteligente o turismo ecológico na qual o nosso município possui grande potencial.

Os ambientalistas de nossa cidade devem, junto com a população, lutar contra, impedir as diversas atividades, que aos poucos, degradam e transformam a nossa paisagem. Um exemplo disso são as construções de obras irregulares em encostas e zonas de tabuleiro, já que a Secretaria de Meio Ambiente fecha os olhos para este assunto.

Fico com um pensamento onde me diz que aquilo que é bom e que funciona em sincronia com o bem estar do homem e da natureza não é bem visto aos olhos dos grandes empresários que movimentam a roda do modelo capitalista atual, que explora e não valoriza a pessoa como ser humano.

13 comentários:

procad disse...

[José Marcelo]
Correção: o plano diretor é exigido para cidades com população igual ou superior a 50 mil habitantes.

Adolfo Maia disse...

Marcelo,

Plano diretor é obrigatório para cidades de 20 mil habitantes acima, bem como para municipios com potencial interesse turistico, como no caso de icapui.

veja isso no Estatuto da Cidade, coloquei os 20 mil hab no texto.


abraços

procad disse...

[José Marcelo]
valeu pela correção adolfo,é isso mesmo.

ClaudiMar Silva disse...

Marcelo,

Parabéns pelo excelente texto. É importante reforçarmos esse alerta e disseminar a importância da preservação de nosso ecossistema. Do contrário, ficará difícil - ou impossível - tirar fotos como essa que ilustramos seu artigo.

Abrços!

procad disse...

[José Marcelo]
É isso mesmo Claudimar. Um dos motivos da publicação deste texto, neste momento, é alertar sobre a importancia deste processo e dos assuntos abordados, que não podem, de forma algunha, cair em esquecimento.

Felipe Freitas disse...

Olá Marcelo, vamos discorrer um pouco sobre ENERGIA. Com relação a hora do planeta, realmente é uma ação meio “enganosa”, já que mesmo que as pessoas não estejam consumindo durante aquela momento as usinas não param de funcionar porque existem grandes fábricas, hospitais e outros serviços que não podem parar. E energia solar é uma das formas de energia menos eficientes que existem. Enquanto parques eólicos têm eficiência comprovada no Ceará acima de 40% um painel solar não chega a 20%. Um aerogerador utiliza 36m² ou 0,0036 hectares para produzir entre 1,2 a 1,8 milhões de kWh anuais. Uma planta de biocombustível precisaria de 154 hectares de bosque para produzir 1,3 milhões de kWh ao ano. Painéis solares precisariam de uma área de 1,4 hectares para produzir a mesma quantia anual de energia. Marcelo, não existe energia que não gere impacto ambiental. Todas geram. Durante a construção e nos estágios de produção de energia (ton/GWh) painéis solares emitem 5 toneladas de CO2, o mesmo que a eólica. Por que eles são tão caros? Porque explorar silício para fabricar esse tipo de material é um processo extremamente específico, tornando-o caro. As células fotovoltaicas passam por um processo de dopagem para adquirir características para que seja possível a produção de energia elétrica, sem contar que o silício apresenta fusão reversa e derrete ao resfriar. Continuando a discussão sobre o preço, o MWh da energia eólica no Brasil no último leilão teve o maior preço em R$148,00/MWh e o mais baixo R$121,00/MWh. Atualmente, o preço da energia solar em países desenvolvidos como os EUA, Alemanha, França, Itália e China gira em torno de R$240,00/MWh. Quem pagaria essa diferença de preço? NÓS!!! O que você iria dizer para um agricultor que mal sabe escrever seu nome para que ele instalasse energia solar na sua casa e teria que pagar por isso ao longo de anos?! A eólica é muito mais barata do que a solar. A energia elétrica é considerada hoje o terceiro bem mundial, vindo depois da água e da comida. Você mesmo para escrever este artigo usou energia elétrica proveniente de um parque eólico, já que todo sistema é interligado através do SIN (Sistema Interligado Nacional).

Felipe Freitas disse...

Toda a energia produzida é operada localmente e distribuída ao longo do Ceará. E, para manter nossa demanda teria de se fazer estudos muito mais complexos do que “estimar” que seria necessário uma ou duas torres. De positivo e negativo, tudo na vida tem um pouco. Isso aumentaria a oferta de emprego na cidade, aumento da oferta de energia no estado e ajudaria a cortar emissões de gases do efeito estufa, já que a eólica não consome água, nem produz alguma resíduo durante sua operação, manutenção e comissionamento. Não sou hipócrita de dizer que não gera impactos ambientais, porque até mesmo comprar um produto no supermercado é comum o uso de sacolas plásticas que não são biodegradáveis. Para você ter uma idéia, em Beberibe, o parque eólico Praias de Parajuru demandou 275 trabalhadores diretos e 2500 indiretos para montar 19 aerogeradores. A soma dos projetos em Icapuí vai muito além disso. Turismo. Os locais para a instalação dos parques não são rotas turísticas, todos são locais remotos onde não se praticam atividades relacionadas ao turismo. Em muitos parques do Ceará turistas e curiosos estão fazendo visitas para conhecer de perto o porte de tal empreendimento. A eólica junto com a solar são as duas fontes de energia mais sustentáveis das quais dispomos. O problema de muitas pessoas é a falta de informação. A energia eólica é usada desde 2000 a.C., só que muitas pessoas nunca se interessaram em saber o seu real funcionamento, utilização, etc. Recentemente ministrei uma palestra para a Associação de Moradores de Melancias de Baixo sobre o assunto e algumas pessoas eram contarias a instalação pois pensavam que as máquinas eram radioativas, o que não é verdade. As pessoas que assistiram minha apresentação não são mais contra o projeto de Melancias de Baixo. Por ser uma área nova em nossa região, as pessoas tem receio para novidades. Antes de criticar algo, procure saber como se dá todo o processo. Todos usam/consomem energia elétrica, a demanda por eletricidade está em crescimento constante no Brasil e no mundo. Não pode-se parar com a oferta de energia, caso contrário, voltaremos a estaca zero. No entanto, não pense que sou a favor do desenvolvimento a todo custo, pelo contrário, sou a favor de que seja implementado de forma correta. Estudo todas formas de produção de energia a dois anos, especialmente eólica. Estou aberto para ajudar a sanar qualquer dúvida sua ou de qualquer outra pessoa. Lembre-se, não só você, mas, todos, vamos preservar nossa cidade, nosso estado, nosso país, nosso mundo de forma sustentável. Isso diz respeito à eletricidade. Nada se cria nada se destrói tudo se transforma.

procad disse...

[José Marcelo} -Olá Adolfo, desde quarta (dia 13 estou tentado fazer alguns comentários a respeito do pronunciamento do Felipe e não consigo. é importante e necessário uma outra visão para enriquecer o debate.

procad disse...

[José Marcelo]

Olá Felipe. É certo que não existe produção de energia que não cause impacto, porém existem àquelas que geram menos impactos como é o caso da energia solar, que embora não possua a mesma capacidade energética comparada a uma torre eólica ela é bastante eficiente e poderia atender às necessidades da população sem ferir drasticamente à sua paisagem. Como você afirma que os locais para a instalação dos parques não são rotas turísticas, todos são locais remotos onde não se praticam atividades relacionadas ao turismo. Que locais são estes? Icapuí, quase que sua totalidade, se enquadrar como áreas de proteção ambiental, o nosso território se estende por uma longa linha de costa, possui formação de tabuleiros com declividades iguais ou superiores a 45%, manguezais, dunas, restingas, lagos, lagoas, rios, entre outros, constituindo-se numa serie de habitats importantes para a conservação da natureza, alguns com elevada sensibilidade ambiental. A minha intenção é mostrar que a energia solar poderia suprir às necessidades da população sem comprometimento ao meio ambiente da cidade, já que a energia eólica transformaria a paisagem local na conhecida tecnopaisagem entre outros agravos ambientais. Em Israel, aproximadamente 70% das residências possuem coletores solares, outros países com destaque na utilização da energia solar são os Estados Unidos, Alemanha, Japão e Indonésia. No Brasil, a utilização de energia solar está aumentando de forma significativa, principalmente o coletor solar destinado para aquecimento de água. Apesar de todos os aspectos positivos da energia solar (abundante, renovável, limpa, etc.), ela é pouco utilizada, pois os custos financeiros para a obtenção de energia são muito elevados, não sendo viável economicamente. Necessita de pesquisas e maior desenvolvimento tecnológico para aumentar sua eficiência e baratear seus custos de instalação. Apesar de um aerogerador utilizar apenas 36m² ou 0,0036 hectares para produzir entre 1,2 a 1,8 milhões de kWh anuais (como você citou), os impactos de vizinhança abrangem uma área significativamente maior ainda com reflexos sobre as áreas adjacentes. Ou seja, não é possível, para a instalação de uma torre explorar apenas a área supracitada. (...).

procad disse...

[José Marcelo]

Um dos problemas mais importantes relacionado com a energia eólica é o da intermitência do vento. A rede elétrica tem que ajustar-se continuamente ao fornecimento e à procura, para manter a “pressão” (isto é a voltagem) constante no sistema. Quando a procura aumenta o fornecimento tem que aumentar necessariamente e quando a procura baixa o fornecimento tem que também baixar. Mas as turbinas eólicas como reagem ao vento e não às necessidades da procura, tem que ser consideradas como uma procura variável e não como um fornecedor seguro. A rede elétrica tem que ajustar assim o fornecimento tanto em função das flutuações do vento como às variações da procura. Uma coisa, porém, é a intermitência do vento, outra a sua variabilidade. Enquanto a variabilidade implica uma flutuação em torno de uma certa linha básica (como a variação da procura de eletricidade ao longo do dia), a intermitência implica algo que frequentemente começa e para. A energia eólica é, portanto, tanto intermitente como variável. Em relação à “verdade” de que a energia eólica contribui para a redução de gases de efeito estufa, não existe uma evidência que as turbinas eólicas contribuam para uma poupança do CO2. A fonte energética que a energia eólica poderia eventualmente substituir é a energia hídrica (que também é renovável), e esta já é livre de emissões de CO2. As outras energias convencionais não podem ser simplesmente desligadas e substituídas pela energia eólica, por esta ser intermitente e variável, pelo que não existe neste caso uma poupança de CO2. A energia eólica é barata? A construção de um parque eólico industrial custa cerca de um milhão de euros por MW de capacidade. O vento pode ser de borla, mas as torres e as turbinas eólicas têm que ser construídas e mantidas. Para além do que as infra-estruturas de transmissão, necessárias para o seu apoio, também têm os seus custos. Para suportar todos esses custos os governos retiram do bolso do contribuinte o dinheiro necessário para pagar a eletricidade gerada pelas turbinas eólicas, porque caso contrário à energia eólica não é competitiva. As modernas turbinas eólicas têm, em geral, um baixo nível de rotações. Mas mesmo assim as suas 10-20 rpm nas extremidades das pás, dependendo do modelo, têm um impacto significativo nos pássaros e nos morcegos. Esse risco varia, segundo as regiões e as zonas. As aves migratórias voam à baixa altitude, correndo assim sérios riscos de chocarem com as pás. Os responsáveis pelas turbinas eólicas industriais tentam justificar esta ameaça aos pássaros explicando que na realidade eles salvam muito mais pássaros, pelo fato de limparem o ar, impedindo assim o aquecimento global. O que é errado já que a energia eólica não substitui outras fontes de eletricidade. (...).

procad disse...

[José Marcelo]

Existem numerosos estudos que revelam por outro lado que o valor das propriedades que circundam um parque eólico, baixa significativamente de valor (cerca de 15%) nos primeiros dois anos após a construção do parque, estabilizando-se depois este preço. O que significa que essas propriedades perdem de valor com a vizinhança dos parques. Os protestos em Portugal em relação à energia eólica têm sido tíbios, mas vão-se avolumando cada vez mais. A maioria prende-se com os impactes visuais negativos e a incidência na proteção da natureza. As resistências a nível local vão-se multiplicando. Segundo o Jornal do Nordeste a proposta inicial do Plano de Ordenamento do Parque Natural de Montesinho não ia permitir a instalação de um parque eólico na serra de Montesinho, onde as pessoas comentavam que “essas torres desvirtuam a paisagem e o barulho das pás a cortar o vento não é propriamente música para os nossos ouvidos”. A luta contra a construção das turbinas eólicas industriais tem tido cada vez mais sucesso em diversas partes do mundo, desde os Estados Unidos à Austrália. Em Janeiro deste ano, na Alemanha, a população de Bieswang (no Landkreis WeíBenburg-Gunzenhausen) conseguiu, depois de uma dura luta de dois anos, levar a que a (M empresa Windwârts desistisse da construção de um parque eólico na localidade. E neste mês de Abril esperava-se que a população das freguesias de Hausbay, Laudert, Maisborn e Pfalzfeld, na região de Hunsriickhõhe, também na Alemanha, conseguisse impedir a construção de parques nesta região. Os habitantes lutam para que esta região do Reno não perca a sua beleza paisagística, considerando que a construção de parques eólicos representa uma violação da paisagem natural. A população destas aldeias alemãs vai criar nesta região uma zona onde não será permitida a construção de parques eólicos. A semelhança de zonas livres da energia nuclear, surgiria assim uma ZOLPE (Zona Livre de Parques Eólicos).

Contudo eu gostaria que você respondesse algumas perguntas.

Qual seria a forma “correta” de programar estas torres para Icapuí? Qual a demanda de energia que a nossa cidade apresenta? Quantas torres estão sendo estudadas para o município? Qual a produção em (kwh) que isso representa? Por que, após a implantação das torres, o preço da energia continua o mesmo? Não seria para ser reduzido? Agora pense! A nossa pequena cidade, com menos de 20 mil habitantes realmente necessita de tanta oferta de energia?

Eu não citei que sou contra o desenvolvimento, mas que possuímos alternativas bem mais representativas, que valem à pena e que podem ser adotadas sem a necessidade de comprometimento de nossos aparatos ambientais. Eu poço afirmar que o impacto da energia eólica no ambiente está longe de ser benigno e o dinheiro investido nessas iniciativas está longe de ter a sua eficiência.

Felipe Freitas disse...

Olá Marcelo, realmente está difícil de postar comentários. Tentei por várias vezes comentar, quase que não consigo. Me desculpe também a demora, só tivesse acesso à internet hoje. Os locais das instalações são nas zonas altas de Icapuí. Por exemplo, um dos parques da cidade, o Chapadão, que terá 13 aerogeradores e ficará na comunidade de Morro Pintando, situa-se a 5 km das casas. O parque São Raimundo, em Barrinha de Manibú, fica longe das casas também. O único parque da cidade que fica próximo da praia é o parque Cacimbas, localizado na salina de “Zé Baiano”, que também não é um local turístico. Esse projeto deve ser revisto, apesar de não estar totalmente dentro do ecossistema manguezal como alguns ambientalistas estão dizendo, fica próximo sim dos mangues. Usar energia solar para aquecer água é bem distante de usar energia solar para gerar energia elétrica, são custos totalmente diferentes. A característica intermitente do vento não significa que o mesmo não possa ser explorado de formar a estabilizar o consumo e a geração. Existem sistemas de previsão meteorológica de grande eficiência que prevê as condições do vento em até dois dias e programa o ONS (Operador Nacional do Sistema) para essa característica do vento. Se levarmos ao pé da letra a poupança de CO2, nenhuma energia faz isso. Quando se diz poupança de dióxido de carbono refere-se ao seguinte: ao gerar-se 1MW de energia proveniente de fonte fóssil se emite X toneladas de gás carbônico, o que não existe para a eólica, solar, energias que não emitem gases. A energia eólica não irá de forma alguma substituir nenhuma outra forma de energia, assim como a solar não irá substituir a eólica, a hídrica a térmica, etc. A hidroeletricidade não está livre de emissões de CO2. Ao se alagar uma área muito grande, para tornar-se viável a geração de energia, a matéria orgânica imersa na água libera dióxido de carbono, dependendo do tamanho da área, haverá liberação de gás carbônico por muitos anos, mais até do que a vida útil da hidrelétrica. A diversificação da matriz energética se dá pelo fato das limitações de cada forma de geração de energia. Veja este gráfico: http://www.manualdepericias.com.br/imagens/grafico_eolica_1.JPG . Esse gráfico mostra a relação da vazão do rio São Francisco com a velocidade do vento por meses do ano. Ele mostra que quando há muita chuva há pouco vento, quando há muito vento há pouca chuva. A eólica, como já disse, não substituirá nenhuma forma de energia. A eólica assim como todas fontes de energia são complementares. Nos países desenvolvidos o governo dá subsídios sim para a eólica, no Brasil não. Nossas condições de ventos são duas vezes superior a alemã por exemplo. O preço do MWh na Alemanha chega a R$240,00, no Brasil o preço varia entre R$121,00 e R$148,00. Por termos melhores condições o governo não dá subsídios para esses projetos. Com relação as aves, o complexo eólico da Bons Ventos localizado em Aracati, com 67 aerogeradores divididos entre os parques: Enacel, Nova Canoa Quebrada e Bons Ventos, está em operação desde janeiro do ano passado, o único caso de aves chocarem-se com as pás foi de um urubu. Na Alemanha, 32 pássaros foram mortos por turbinas eólicas entre os anos de 1999 e 2000, sendo que na Alemanha existem mais de 20000 aerogeradores. Em comparação, somente em 1999 morreram 257 aves devido a impactos com torres de antenas de televisão. Estados Unidos tem a segunda maior potência eólica instalada do mundo, 40810MW. Alemanha é o país que mais usa energia eólica em sua matriz energética, aproximadamente 28%. A Alemanha optou, inteligentemente, desativar todas suas usinas nucleares até 2040, mas, com o agravante ocorrido no Japão diminui-se para 2020 a desativação completa das usinas atômicas.

Felipe Freitas disse...

Ao desativar essas usinas eles terão que buscar novos meios de gerar energia elétrica. Obviamente que não sou a favor da instalação em todo e qualquer local. Existem locais em Icapuí que conheci recentemente e que possuem um potencial eólico imenso, mas, que nem penso que sejam usadas para produção de energia eólica. A forma correta de instalar os parques na nossa cidade seria posicionar os parques da uma distância mínima de 500m das casas (o indicado é 400m, mas, 500m seria melhor ainda ou até mesmo 1km), zonas que não sejam praticadas atividades turísticas, que não haja uma grande circulação de aves, que seja remoto para que não circule pessoas, etc. Desconheço em números fixos a demanda por energia da nossa cidade, nunca consegui essa informação, mas, buscarei junto à COELCE por esse estudo. A projeção para a cidade são de aproximadamente 142 aerogeradores distribuídos em 25 parques. A geração de energia não é medida em kWh Marcelo, mas sim MWh. A potência instalada giraria em torno de 300MW de capacidade, estimar a produção é bem mais complexo, necessita de dados de vento ao longo de um ou dois anos. O preço da energia continua o mesmo porque a oferta de energia não é o mesmo que a oferta por alimento, por exemplo. O setor energético é regulamentado por leilões, onde quem vender seu MWh por um preço menor será contratado. No entanto, a energia não vem direto das usinas para nossas casas. Ela passa pela linha de transmissão da CHESF que depois é repassada para a COELCE e da COELCE para nossas casas. Todo este caminho acarreta num preço para o nosso bolso, sem contar que a COELCE é uma empresa privada, não estatal. A oferta energética não é apenas para Icapuí. Uma cidade que não dispõe de recursos eólicos suficientes para geração de energia, que não dispõe de rios para hidroeletricidade, que não conseguiria se abastecer apenas com solar também necessita de energia. Nós mesmos usamos por vários anos a energia advinda da usina hidrelétrica de Paulo Afonso. A cidade de Paulo Afonso não necessita de toda a disponibilidade da usinas, mas, o resto do país precisa. Muitas cidades não precisam de todos os alimentos que produzem e por isso os vendem, Com energia não é diferente.