segunda-feira, 4 de abril de 2011

Artigo: Qual porto queremos para nossa Canoa?

Escrito por Jerônimo Reis
Vereador do PT

O mundo contemporâneo vive à época das mudanças instantâneas. Hoje qualquer setor da sociedade de qualquer país, tem que estar sempre em atenção com o resto do mundo, pois uma tomada de decisão lá na China, do outro lado do mundo, pode prejudicar o andamento econômico da bodega de minha prima Rita na Serra de Cajuais. Explico a principal fonte de renda da população de Icapuí, ainda é a pesca da lagosta, e um dos países para onde o Brasil exporta esse precioso crustáceo é a China, portanto se a China resolve não comprar mais nossa lagosta, podemos ter agravado, ainda mais a crise do pescador de lagosta do nosso município, e, o poder de compra desse pescador é que sustenta mais da metade dos comércios de Icapuí, desde a compra do alimento do dia, passando pela aquisição de um eletrodoméstico novo até chegar à troca do carro ou da moto, é assim que funcionam as relações na atualidade. E mesmo diante de toda globalização e avanços de informações, tem uma coisa que insiste em não mudar nesse nosso Icapuí, é o jeito de se fazer política.

Icapuí sempre foi intrigante no seu agir, Icapuí é diferente. Senão vejamos: No início da sua vida política, no final dos anos 80, enquanto o Brasil e o Ceará escolhiam e apostavam nas administrações neoliberais do Partido da Social Democracia Brasileira - PSDB, Icapuí apostava na administração participativa do Partido dos Trabalhadores – PT e sofria as dificuldades em efetivação de suas políticas públicas, por não fazer parte da mesma linhagem política do “Governador e do Presidente”. Com o passar do tempo no ano de 2002 o Brasil resolve apostar na política do Partido dos Trabalhadores e elege LULA para Presidente, em seguida no Estado é eleito Cid Gomes, do Partido Social Brasileiro -PSB, para Governador, numa aliança com o Partido dos Trabalhadores, o que acontece em Icapuí ? É eleito um prefeito pelo PSDB, justo no momento em que tínhamos um cenário dos mais favoráveis para alavancarmos as políticas estruturantes para o nosso município, mas não, continuamos sofrendo as mesmas dificuldades. Esse é nosso Icapuí.

Às vezes tenho o sentimento de que gostamos mesmo é de sofrer, sempre estamos indo no sentido contrário ao resto do mundo, enquanto no Brasil se fortalece a política das alianças partidárias, das convergências de ideias, buscando um objetivo comum e coletivo, aqui entramos num retrocesso político-partidário. Uma parte dos nossos “líderes” busca fortalecer o acirramento do ódio entre “bicudos e bacurais”, numa jogada política perversa e criminosa, inserindo nas pessoas o sentimento de disputa e intriga pessoal, mas a principal intenção é fazer com que as pessoas percam suas identidades e o poder de raciocinar, de questionar, de participar, de pensar, de lutar por seus direitos, convicções, e, sobretudo, percam o seu bem mais precioso que é a capacidade de sonhar. Querem transformar o “Icapuiense” em uma marionete de fácil domínio e manejo. Pergunte aos que defendem este regime, porque ele é bicudo? Ou porque ele é bacural? Jamais obteremos uma resposta convincente, e assim esses “líderes” continuam criando verdadeiros currais eleitorais, a fim de se eternizarem no poder, sustentado à base de subempregos e assistencialismo barato.

Mas não são todos políticos de Icapuí que alimentam estas práticas, existem aqueles que buscam uma política mais participativa, mais transparente, mais democrática e principalmente mais humana. Preocupa-nos saber que esses poucos políticos, talvez por manter uma oposição mais ferrenha ao atual governo do nosso município, na maioria das vezes, além de não receber o devido apoio, ainda chegam a ser discriminados por boa parte da sociedade.

Creio que é chegado o momento de determinarmos qual o rumo que queremos para o nosso município. É mais importante seguir e/ou acreditar na maioria desses políticos que pregam a política antidemocrática, individualista, fisiologista e discriminatória ou ser despertado pela minoria dos que buscam na política a universalidade, tanto nas ideias como nas ações enquanto princípio de coletividade, inclusão e principalmente respeito às diferenças? È bom lembrar que a sua resposta, juntamente com a sua atitude, é que vai determinar o porto onde queremos atracar a nossa canoa veloz num futuro próximo.

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