segunda-feira, 27 de junho de 2011

Artigo: O político e a necessidade de ter dinheiro


por Claudimar Silva
Editor do blog

Você já deve ter notado a presença constante de figuras da política local nos mais diversos eventos em nossa cidade. É a campanha eleitoral de 2012 batendo à nossa porta. Aparecer para a população, cumprimentar cada um e fazer o tipo “popular” é uma das infindáveis estratégias adotadas pelos pretensos candidatos para conquistar os votos dos eleitores. Os eleitores gostam disso e até “resmungam” quando alguns destes políticos não dão pelo menos uma buzinadinha, um aceno, um oi sequer. Dar um pouco de atenção, por mínima que seja, é o melhor jeito de iniciar o complexo processo de aproximação entre candidato e eleitor. Mas, só isso não garante a conquista de votos.

Deve ter percebido também que, ao longo de nossa história política, cultivamos um sentimento involuntário de “rejeição” a candidatos que não demonstram ter boas condições financeiras (ou porque são discretos, ou porque não as tem mesmo). Há uma relutância por parte do eleitorado em conceder um voto àquele candidato que entra na disputa eleitoral apenas com “a cara e a coragem”. Esse tipo de comportamento tem forte relação com a cultura do assistencialismo, que produz uma relação de troca de interesses e favores, prejudicando os candidatos menos abastados. Quase sempre o eleitor espera do candidato com quem detém maior proximidade, afinidade ou simpatia política que, de uma maneira ou de outra, possa lhe “ajudar”. Essa “ajuda” varia de acordo com o poder aquisitivo, posição social e poder de barganha do eleitor e do político e começa bem antes do período eleitoral (não me refiro aqui à “compra de votos”, isso é outra história). 

Mesmo que o “pobre” candidato acometa-se de uma capacidade intelectual admirável, boas intenções e uma incrível força de vontade de trabalhar em prol do povo, encontrará forte resistência do eleitor em dar seu voto. Essa resistência evidentemente não é algo explícito, declarado ou nem mesmo consciente - surge da personificação do político como aquele que existe exclusivamente para ajudar o povo. Poucos são os que compreendem que o verdadeiro papel do político ultrapassa os limites da concessão de favores, financeiros ou não. 

No entanto, essa ajuda acaba se confundindo com práticas assistencialistas individuais, desencadeando um ciclo “econômico” benevolente para os que possuem recursos suficientes para alimentar esse processo. Basta lembrarmos que as estruturas montadas nas últimas campanhas eleitorais por todos os candidatos, requereu um mínimo de “investimento” financeiro. O candidato que não consegue arcar com esses gastos está fadado a ter sua campanha eleitoral “morta” precocemente. As campanhas eleitorais ganharam tamanha proporção que exigem de seus pretensos candidatos disponibilização de quantias vultosas de dinheiro. Diante disso, nenhum candidato é forte (rico) o suficiente para bancar os gastos de uma campanha sem agregar parceiros dispostos a contribuir. São essas parcerias que ficam incumbidas, geralmente, de disponibilizar os recursos necessários ao atendimento das demandas políticas (as ajudas) e à montagem da estrutura de campanha propriamente dita.

Tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que prever o financiamento público das campanhas eleitorais no Brasil. Dentro dessa reforma política, as campanhas eleitorais seriam custeadas com dinheiro público dividido de forma igualitária e também proporcional entre os partidos políticos, de acordo com sua representatividade política. Doações de pessoas físicas e empresas seriam proibidas, ao contrário do que acontece hoje. Uma reforma como esta requer muita discussão e levará tempo até que as alterações sejam aprovadas ou não, já que implicaria na mudança de comportamento, mentalidade e cultura política dos que conduzem a governança do país, estados e municípios. No Brasil, ser honesto virou sinônimo de “otário”, “tolo”, “abestado” (como diria o Tiririca). Na política, essa mesma honestidade vem ganhando ares de antônimo. Ou seja, fazer as coisas do jeito correto, dentro da legalidade, moralidade e, acima de tudo, com respeito ao próximo tornou-se algo ridículo perante uma sociedade corrompida pelo velho “jeitinho brasileiro”. Existe uma forte tendência comportamental que visa obter vantagem sobre qualquer coisa, por mais simples e básica que seja. Em uma cultura tão arraigada como esta, torna-se praticamente impossível alguém caminhar e progredir socialmente sem nunca esbarrar em uma situação de “desonestidade”, onde seus valores morais e éticos sejam postos à prova.

Ter dinheiro tornou-se condição indubitável para qualquer político que almeja sair vitorioso de um pleito eleitoral. Infelizmente, isso sucumbe um universo de boas intenções, ideias e comprometimento político de pessoas que não possuem os tais recursos financeiros.

6 comentários:

Paulinho Girao disse...

O êxodo rural

A situação do interior do estado é muito difícil.
A saúde é precária e há casos onde faltam médicos conveniados aos planos de saúde. Imaginem a falta de médicos do SUS.
As professoras municipais não recebem salário motivador. Não há material didático disponível para planejamento das aulas.
Algumas pequenas fábricas de calçados, por exemplo, aproveitam a mão de obra barata e que necessitam de treinamento para o trabalho.
Hoje, estou em uma cidade do interior que sofre com o êxodo para a capital e pede a união de todos para conservar vivo o interior que tanto amamos.


Paulo Roberto Girão Lessa

robertoeu2011 disse...

Excelente comentário, a política funciona desse jeito, mas temos que ficar atentos pois qd esses compra seu voto acaba o compromisso que ele vai ter com vc e a cidade, em Icapuí algumas mudanças já pode ser vista, na eleição passada, posso citar a vitória do vereador Marcos Nunes que não tinha dinheiro e saiu vitorioso, votos esses de pessoas que queriam uma pessoa séria e está cumprindo um bom mandato e tenho certeza que as pessoas que votaram em Marcos Nunes estão satisfeitas e os que votaram na queles que compraram votos tenho certeza que estão arrependidos, mas para vocês caros amigos como já diz a matéria eles já estão aparecendo em Icapuí e logo logo vão apertar as suas mãos e dar alguns trocados !!!!!!!

LaisGomes disse...

Parabens Claudimar Pelo Artigo,Concordo Com Todas as palavras acima citadas...A verdade para uns é dura de ser ouvida,mais tem de ser dita!!!! Abracos

ulisses disse...

O grande problema atual da política partidária, a meu ver, diz respeito à falta de consciência crítica daqueles que têm o poder de escolher seus representantes. Infelizmente, boa parte dos eleitores não analisa as atitudes dos seus candidatos e, por isso, acaba elegendo pessoas que não têm compromisso com a população. Conforme dito no seu artigo, e eu concordo plenamente, o dinheiro é quem define o voto de muitos eleitores. Essa atitude impensada causa prejuízos à sociedade e dificulta à eleição de candidatos de boa vontade, que almejam fazer um trabalho diferente em prol da população.

ClaudiMar Silva disse...

Passando pra agradecer os comentários de nossos estimados leitores.

Abraços a todos!

Paulinho Girao disse...

Crise ecológica
Uma das crises mais importantes para o destino da humanidade é a crise ecológica. Os cientistas afirmam que em 50 anos a temperatura média do planeta Terra subirá seis graus centígrados. Isto vai significar a extinção de mais da metade das espécies hoje existentes. Em alguns anos, autoridades ecológicas afirmam que o nível do mar subirá meio metro, inundando cidades e outras áreas. Então a crise econômica, que é muito importante, não se compara à crise ecológica que destrói por definitivo a vida na Terra. Para cada ação há uma reação! A nossa reação diante da destruição do planeta deve ser uma profunda mudança de estilo de vida. De uma vida exploratória e predatória, devemos passar a viver uma vida simples, doadora e humana. Ou mudamos esta visão egoísta ao tratar a mãe Terra ou seremos deserdados do bem maior, que é a vida neste planeta.


Paulo Roberto Girão Lessa