sábado, 11 de junho de 2011

Artigo: Saudosismo de um ex-aluno Marista

Saudosismo de um ex-aluno marista
Wellington Pinto - professor

Quando estudava no colégio Marista de Aracati, ali vivenciei experiências alegres e inesquecíveis. As boas amizades que cultivei e os conhecimentos que adquiri nas diversas áreas do saber. E o melhor de tudo, um caráter forjado na pedagogia marista, dentro dos princípios religiosos, focado nas diretrizes do seu fundador, Marcelino José Bento Champagnat. Os que estudaram no Marista se deram bem na vida. Os que não estão bem de vida são porque não quiseram, deixaram essa oportunidade de ouro passar.

Na escola Gabriel quando falo do colégio marista alguns colegas de profissão se exaltam, criticam, tem essa postura é porque não tiveram essa oportunidade. Hoje como professor concursado da escola Gabriel fico triste quando vejo a maioria dos alunos de recuperação, muitos não dão importância aos estudos, acham que terão papai e mamãe a vida toda, pura ilusão. Recordo que no meu tempo de estudante a maioria passava por média, os que ficavam de recuperação é um chororó, se trancavam em casa e só saiam quando recuperava a nota perdida, hoje há uma inversão de valores, alunos que ficam em todas as disciplinas não estão nem aí. Eu não tivesse estudado estaria ferrado, meu pai operário de fábrica têxtil, percebendo salário mínimo, minha mãe uma pequena comerciante, me convenci cedo que para vencer na vida é preciso estudar e muito. Essas idéias passo para meus alunos e parece impermeáveis ao futuro.

Na escola Gabriel tem 754 alunos matriculados, por média (não fizeram recuperação) passaram apenas 31 alunos, 4,29%, o restante ficou para recuperação até em 10 disciplinas ou mais. Gráfico abaixo:



Estou me referindo à escola Gabriel, pois é onde trabalho, mas essa realidade é geral nas escolas públicas do Estado do Ceará. Muitas vezes fico até angustiado pensando que o culpado sou eu, quando vou aplicar as paralelas (recuperação) e vejo a quantidade de alunos, então percebo que o culpado não sou eu e nem os professores, mas os alunos que estão desmotivados para os estudos, pais que não acompanham a vida escolar de seus filhos.

É preciso repensar o ensino médio, da forma que é feita é um atentado ao aluno. O curso científico é uma preparação para o vestibular, as maiorias dos alunos não estão interessados em entrar na universidade, querem fazer um curso profissionalizante e ingressar no mercado de trabalho. Essa idéia que foi divulgada no Brasil que só se dá bem na vida quem termina uma faculdade, é uma “cultura” perversa que não prepara o aluno, e ainda por cima contribui para a evasão, reprovação e indisciplina.

Do que jeito que a educação caminha não vai chegar aos objetivos propostos que seria garantir a cidadania dos alunos e o seu futuro. Professores + grupo gestor + pais + poder público precisam engajar numa grande cruzada pela educação de qualidade. No século XXI o conhecimento é o grande motor do desenvolvimento, tanto econômico, como social. Os países que apostaram na educação estão em patamares elevados, no caso o IDH. Nossos governantes preferem investir na bolsa esmola para manter o povo na subserviência de políticos inescrupulosos, pra tudo se tem dinheiro, até para manter a corrupção, menos para a educação.

5 comentários:

João Paulo disse...

Parabés colegas infelizmente nosso alunos não conseguem aproveitar as oportunidades só depois é que vão sentir o essa perda. No entanto esse é o nosso grande desafio motivar nossos aluno a buscareem um futuro mais promissor.

João Paulo Oliveira.

Prof. Mauro disse...

Concordo com sua reflexão. Mais nós professores devemos ter em mente que vivemos em um outro tempo, onde os anseios sociais são bem diferentes de outrora, e, portanto nossos alunos apresentam índices de aprendizagem e de interesse aquém do necessário. Devemos perceber também que a escola de hoje não deve ser capaz apenas de oferecer conhecimento científico ou técnico, mais procurar ser mais humana, afetiva. Hoje encontramos alunos em nossas salas de aula com inúmeras realidades, e, a sacada do verdadeiro MESTRE é procurar antes de rotular se aproximar mais da realidade desses que para nós que fazemos a educação não correspondem ao que desejamos por simples falta de vontade. Chega de tanta hipocrisia. A educação deve aceitar que não se ensina alguém que vive outra realidade tendo como caminho o que era feito no passado. Devemos sim, associar o passado ao presenete e dele poder usufruir do melhor que essa junção pode oferecer ao processo de ensinar e aprender. Não quero aqui defender alunos, pais, sociedade, pois todos tem sua parcela de responsabilidade. Quero apenas mostrar que não se faz educação de verdade sem afetividade, proximidade, maleabilidade e acima de tudo com argumentos que possam de forma simples fazer com que nossos alunos enxerguem a verdadeira imoportância de uma educação libertadora e questionadora para nosso cotidiano, e, sem dúvida para um futuro que se aproxima cada vez mais rápido. Um grande abraço prof. Wellington Pinto, suas reflexões sempre são muito precisas. De um professor eternamente aluno.

A BASE DE FÍSICA disse...

Primeiramente quero parabenizar o prof. Wellington Pinto pelos artigos que vem escrevendo e divulgando nesse blog. tem colaborado muito para educação politica-social das pessoas de nossa cidade.

também sou Professor da Escola Gabriel e convivo com os problemas citados pelo prof.

leonardao disse...

Nobre Welington, também fui aluno Marista mas na tenho tanto ufanismo por aquele colégio como você. Li atentamente sobre a sua experiência naquele Colégio, mas quanto a minha experiencia eu nao tenho tanta saudade. Certa vez numa daquelas aulas orais de um irmão eu esqueci alguma coisa do livro de religião, matéria obrigatoria, fui castigado, e o meu castigo foi retornar ao colegio pela tarde e ficar das 13 hs até 17 hs debaixo de um sino existente nas galerias para decorar o texto, e ao final ser arguido pelo irmão. Naquele tempo eu era pequeno e nao despertava para um detalhe importante, eu e os demais alunos eram submetidos ao constrangimento perante aos demais alunos que passavam para lá e para cá e víamos debaixo do sino e servia de chacota. Outra vez esse mesmo irmão Marista numa aula de matematica ao me ver dar um riso timido porque um colega havia falado uma brincadeira, me chamou na frente e me deu um tapa que me mijei todinho. Esse mesmo irmão em outra aula de matemática me bateu com um compasso de madeira na minha cabeça, fez um galo. Ai eu lhe pergunto, amigo Wellington que tipo de pedagogia era adotada pelo Colegio Marista de Aracati nquele tempo? Deus me livre.....

Professor Wellington Pinto disse...

Leo naquela época tudo isso se fazia(castigos),era a pedagogia da época.Não era só no Marista, mas em todas as escolas do país.Não defendo essa pedagogia do constrangimento.Porém não posso falar mal dos irmãos se eles foram legais comigo e com muitos que precisavam de ajuda financeira na hora de pagar as mensalidades.Fui até irmão marista durante 8 anos e por onde passei só via elogios aos irmãos.Hoje o irmão marista tem outra formação,por isso são referência mundo afora...