segunda-feira, 4 de julho de 2011

Artigo: A Mosca Azul e o poder

Por Wellington Pinto - professor

Dando uma organizada nos meus livros encontrei um livro que tempos atrás ao lê-lo me despertou para o perigo de ser pego pelo poder (cobiça), de calça curta (ceroula), ou melhor, de cuecas. O livro é do frei Betto, “A mosca azul”, expressão metafórica tirada de um poema do escritor Machado de Assis.

Para quem não conhece frei Betto é padre dominicano, de esquerda, sempre esteve presente nas lutas sociais do Brasil. Participou do governo Lula na primeira gestão como assessor especial do presidente da República e coordenou a mobilização social do programa Fome Zero. Desencantado pelos rumos que o PT tomava saiu do governo antes que a mosca azul o picasse: "Deixei o governo federal em dezembro de 2004, antes dos escândalos do 'mensalão', dos quais não tive a menor desconfiança", lembra o escritor. "A mosca azul não me picara. Voejou, feriu-me o ar com seu zumbido, exibiu solertes suas asas de ouro e granada, refulgiu ao clarão do sol, descortinou-me a visão fantástica e sutil, sem, contudo inocular-me o veneno do apego ao poder."

Como bom observador tem visto em Icapuí micropoderes nos mais diversos setores e instituições que alguns conseguem galgar e quando se agarram a esse poder tem postura de ditadores. Nas escolas tem figuras que são professores e breve estarão na sala de aula, pois o poder atual é efêmero. Nesse momento que estão como gestores oprimem seus pares como se o poder fosse eterno, fico imaginando quando essas figuras votarem à sala de aula com suas ‘posturas de educadores’, agora estão em cima da carne seca.
No campo político vejo o poder passar de pai para filho, todos reclamam da política que o povo aperreia, não dá sossego ao político, é de perguntar, quem acostumou o povo a pedir (?), e o poder passa de pai para filho em nível nacional e é hereditário o poder político nesse país, e só largam o poder depois que morrem, e todos turbinados pela mosca azul.

Na cidade de Icapuí ocorre o mesmo, os pais se aposentam (teoricamente) e deixam seus filhos na política, ou em algum cargo de indicação política, porque é o meio mais fácil de fazerem na vida. Alguns por falta de conhecimentos e popularidade se valem de seus filhos para realizar seus sonhos, coisa que não conseguiram e tentam realizar a partir dos filhos. Outros por mediocridade, não se darão bem na vida porque nunca deram duros na vida e pegam carona (dinheiro) dos pais para se fazerem na política, e isso não é somente em Icapuí é no Brasil todo.

Não conheço ninguém que tenha deixado à vida pública para se dedicar a outros setores, desligando-se completamente da política. No cenário nacional temos o Getúlio Vargas que de tão apegado ao poder saiu do palácio do governo (Palácio do Catete) no Rio de Janeiro por via de suicídio, no dia 24 de agosto de 1954. Jânio Quadros que renunciou ao poder depois de alguns meses da posse de presidente, 25 de agosto de 1961, por carta-renúncia, com votação histórica foi eleito, e há muito tempo os historiadores se perguntavam o porquê da renúncia. Hoje sabemos que o Jânio renunciou na ilusão que o povo o colocaria de volta ao poder e a partir dessa volta poderia governar de maneira despótica, tudo aconteceu de maneira diferente, perdeu o poder na sua fantasia de pensar que o povo tem essa consciência política, a população se move de acordo com suas emoções momentâneas.

Quem perde com esse poder estrutural o país que abriga secularmente famílias no poder, tantas pessoas inteligentes e éticas que não conseguem chegar ao poder porque não tem dinheiro para comprar o povo, não pertence a uma dinastia política, não sabem mentir, nem sabem enganar o povo.

O poder não é para quem quer (liso), é para quem pode. A vacina contra essa doença incurável não existe ainda e poucos são os que têm coragem de deixar o vício por uma causa coletiva, temos como exemplo uma grande figura que abandonou seu posto de ministro e correu atrás de seu sonho que era incendiar a América latina com uma revolução socialista, no caso Che Guevara.

Nesse livro Frei Betto faz duras críticas ao PT que ao chegar ao poder perdeu seus ideais de um partido de esquerda: Para Frei Betto, são exceções àqueles que, encarando o poder, não mudam de postura e abandonam - ao menos em parte - seus ideais. "De pouco valem as intenções de quem jura que 'ao chegar lá não serei como os outros'. Será sim, salvo exceções. Pois o poder atrai prestígio e dinheiro e opera na pessoa mudança de lugar social e cultural."

Tantos baluartes do PT sucumbiram diante do poder, foram picados pela mosca azul e não resistiram à picadura da mosca azul. Todo dia a mídia divulga um nome de um petista envolvido com corrupção e nós simples mortais nesse jogo político ficamos atônitos diante dos fatos, a que nós devemos confiar se o maior partido até então que defendia as massas populares se corrompeu e a quem confiar nesses dias sombrios da política (?).

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