domingo, 31 de julho de 2011

Artigo: A política partidária e a perda de amizades

Por Ulisses Venceslau
 Editor do Blog

Aqui no município de Icapuí já começamos a perceber as primeiras manifestações políticas. Já temos acesso a informações que revelam vários postulantes a serem prefeitos da cidade. Vários pré-candidatos já oficializaram a sua participação, mesmo que seja parcial, na próxima eleição. Outros possíveis nomes já são cogitados para lutar pela obtenção do maior cargo da cidade. Tudo isso sem falar dos possíveis candidatos a vereadores, cujos nomes já começam a se propagar.
O período eleitoral traz momentos agradáveis e desagradáveis. De um lado, as pessoas têm a oportunidade de tornarem-se participativas na luta pela vitória do candidato que tanto apóiam como acreditam que possa fazer um trabalho em prol da coletividade; do outro, percebe-se, muitas vezes, a existência de situações de desentendimento entre pessoas que possuem propostas políticas divergentes. Diante disso, considero um momento oportuno para convidar você, caro leitor, a refletir comigo sobre uma conseqüência negativa provocada pela política partidária: a perda de amizades.   
Em 2008, na comunidade de Redonda, nos últimos três meses antes da eleição, aconteceu uma cena inusitada que presenciei e quero compartilhar com você. Um dos candidatos a prefeito, acompanhado dos seus candidatos a vereadores, faria um discurso político na comunidade antecedido por um arrastão. Quando o arrastão passou em frente à casa de uma senhora que não apreciava a postura do candidato e não votava nele, várias pessoas perceberam que ela não se conteve e acabou proferindo palavras de desprezo e arrogância para os eleitores e os candidatos que ali estavam.
Cerca de duas semanas depois, foi a vez do outro candidato a prefeito, juntamente com seus vereadores, fazerem o seu ato político, que também foi antecedido por um arrastão. Por incrível que pareça, ao passar em frente à casa de uma outra senhora, vários eleitores perceberem a arrogância dela, que também repudiou o evento, as pessoas e os candidatos que ali passavam.
Embora tivessem propostas políticas divergentes, as duas senhoras comentadas eram vizinhas e, além disso, grandes amigas. Devido à proximidade de suas residências, uma percebeu a ação impensada da outra. No dia seguinte ao último arrastão, logo pela manhã, quando ambas varriam o terreiro, uma delas começou a lembrar da festa ocorrida na noite anterior. “comadre, você viu ali como tinha gente? Não tenho dúvidas de que meus candidatos, tanto a vereador como a prefeito, irão ganhar”, disse a senhora. A outra senhora retificou: “ E você viu aquele arrastão há duas semanas atrás? Com certeza tinha mais gente! Você está enganada comadre, os seus candidatos vão perder e feio”. O bate-papo teve continuidade.
Até o momento a conversa estava razoável. Mas ela foi esquentando. Uma começou a criticar o candidato da outra e vice-versa. Para diminuir esta história, a conversa tradicional que acontecia todos os dias pela manhã quando essas duas amigas varriam o terreiro sempre terminava com alegria e sorrisos. Neste dia, porém, terminou num grande barraco. A discussão era tão grande que os vizinhos ficaram observando e as pessoas que passavam em frente ao lugar paravam para ver a grande discussão, que demorou um bom tempo e terminou da maneira mais triste possível: com a malquerença entre as duas amigas. Desde este dia as duas amigas não se falaram mais.
Após as eleições, os candidatos a vereadores pelos quais elas brigaram tornaram-se grandes amigos por serem colegas de trabalho. Enquanto isso, a amizade entre as duas eleitoras se dissipou. Elas perderam uma amizade singular por causa de motivos desnecessários, porque não souberam defender seus candidatos sem machucar aqueles que tinham preferência por outro. Além de serem imprudentes quando gritaram em voz alta difamando as pessoas e os candidatos durante os arrastões, não foram inteligentes quando destruíram tão grande amizade.
Situações parecidas com essa não são raras na comunidade de Redonda e acredito que em outras comunidades também. Muitos eleitores que defendem candidatos distintos acabam entrando no fanatismo e, por isso, não conseguem medir as palavras e acabam machucando seus conterrâneos ou até mesmo seus amigos e familiares.
 Faltam mais de um ano para as eleições e tomara que cada eleitor defenda seu candidato de forma inteligente, sem maltratar ou machucar outras pessoas, principalmente quando trata-se de amigos. Não vale apena perder amizades por causa disso!           
      


4 comentários:

ClaudiMar Silva disse...

Amigo Ulisses,

Muito bom a sua abordagem sobre esse delicado tema. A cada eleição, presenciamos muitos fatos parecidos com este. Os eleitores mais empolgados não fazem distinção entre a política e a vida social, misturando as coisas e criando inimizades em nome de seus candidatos.

Será que vale a pena?

Abraços e parabéns pelo texto.

IVAN SOUZA disse...

Acho que vamos encontrar, praticamente, em todas as comunidades do nosso município, pessoas intrigadas, motivadas por causa de desentendimento ocorridos em época de eleição. É verdade que esse tipo coisa já faz bastante tempo que existe, mas não podemos negar, que nas duas últimas eleições essas intrigas ficaram mais evidente, principalmente, com a criação de termos pejorativos,por exemplo: bacurale e bicudos.

ueslan disse...

esse artigo nos mostra o quanto os politicos são sujos.pq são eles que começão tudo,isso,eles passam nas casa falado mal uns dos outros ai as pessoas partidaria começão a dizer as proprias mentiras que seus canidato falou, depois ñ assumem,e muita jeite ainda cai nessa de perde as suas amizades por esses politicos sujos quer quando ganham eles ficam é amigos uns dos outros e o eleitor fica feito um abestado como sempre.

Elaine Souza disse...

Ulisses Vesceslau, parabéns pelo texto. Muito bancana a forma que escreve sobre uma tema polêmico como esse. Você está certo, mas não podemos deixar de citar que o povo decide os rumos de sua HISTÓRIA. Vamos esperar "esse mais de um ano" das eleições passar e veremmos que posições, aliás, decisões o povo quer seguir. Sou de Icapuí, tenho esperança. Sempre terei. Um grande abraço. Elaine