quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Artigo: Botar a boca no trombone

Escrito por Wellignton Pinto 
Professor

O que seria dos seres humanos se não fosse à boca... Da boca sai de tudo e dela a pessoa mais simples se transforma em rei. Da boca em passo de mágica o pobre fica rico, como (?). Falando...   Depois que o cabra toma umas cachaças aí que a boca vira trombone. 
Fico imaginando os políticos sem a boca para falar, estaria difícil enganar o povo com promessas fantasiosas.
O ladrão é inocente até que se prove o contrário, a justiça tem um trabalhão para provar o crime. Ele grita nos quatro cantos que é inocente, cabe a justiça investigar.
Toda cidade tem seu “Língua de Fogo”, Icaguaí não é diferente. É aquele que esculhamba todo mundo, o certo é ele, nos bares fala até dele mesmo quando as palavras cansadas o traí pela arrogância de querer ser a palmatória do mundo.
Na frente do espelho não existe ninguém feio, olhando para o espelho a boca fala: eu sou lindo, gostoso, namorador e trepador, talvez dos coqueiros de Icaguaí.
O mudo é sofredor, não consegue gritar para o mundo o que pensa e sente, é refém dele mesmo.
O que seria dos fofoqueiros e das fofoqueiras se não fosse à boca, falam de todos e esquecem a própria vida.
O amor verdadeiro precisa de palavras para chegar ao coração dos amantes, sem a boca o silêncio não aproximaria os apaixonados.
As grandes revoluções seus líderes precisaram da boca para difundir suas idéias e da boca veio à mudança radical. 
A boca é uma terapia, a partir dela ninguém tem limites, a boca é irmã dos sonhos, a diferença é que os sonhos são mais discretos e a boca trombone. “Em boca fechada não entra mosca.”
O cidadão que tem a mania de falar muito, pelos cotovelos, acaba sendo traído por seu próprio veneno, o silêncio é ouro e a baboseira é chumbo.
O fanfarrão que se auto promove com palavras vazias acaba caindo em contradição e no descrédito, na vida encontramos muitos personagens com essa prática, de mentir por hábito.
Os políticos profissionais têm a língua afiada nos palanques e nas tribunas, se os políticos cumprissem o que dizem ao longo da vida, o Brasil não teria mais miséria, desde o período colonial o trombone à solta e a situação do povo ainda a mercê de esmolas sociais.
Na pacata cidade de Icaguaí muitos fazem da boca um instrumento de realeza, são reis e rainhas na boca, grita nos quatro cantos o que tem e não tem. Tentam ganhar as disputas verbais no grito, na ameaça e na cara feia. Os políticos de Icaguaí não são diferentes da regra geral, mentem, prometem e enganam o povo. Muitos cidadãos de Icaguaí se deixam levar por palavras macias, de fácil digestão, falta criticidade aos cidadãos de Icaguaí, são poucos os que fazem das palavras flechas incendiárias nas cabeças dos menos esclarecidos.
A boca é nossa parceira nas horas certas e incertas, se não fosse à boca morreríamos de tédio, é preciso falar, descarregar nossas frustrações do dia a dia, e a boca cumpre esse papel terapêutico.  O que seria de nós se não fosse à boca?
Fonte: Blog do Professor Wellington Pinto

2 comentários:

ClaudiMar Silva disse...

Prof. Wellington,

Muito boa a reflexão sobre a importãncia da exposição dos pontos de vistas como forma de construir uma sociedade participativa.

Porém, não acho interessante esse termo "Icaguaí". Passa a ideia de menosprezo com uma cidade que tem muito a oferecer.

Saudações!

Professor Wellington Pinto disse...

Quando uso o termo Icaguaí não quero me referir diretamente a Icapuí,longe de mim diminuir Icapuí, escolhi Icapuí para viver.O termo tomei emprestado do livro o Alienista de Machado de Assis...