quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Diário do Nordeste: PRIMEIRO SEMESTRE - Produção de petróleo no Estado recua 11,2%

Queda se explica pelo natural envelhecimento das jazidas e pela pouca intensidade na perfura- ção de novos poços

Ceará produziu 160,6 mil barris a menos no primeiro
semestre em relação a igual período do ano passado
THIAGO GASPAR
O Ceará produziu menos petróleo no primeiro semestre deste ano. De janeiro a junho, foram retirados das jazidas cearenses, em terra e mar, 1,26 milhão de barris de óleo, o que representa uma média de 7 mil barris por dia. Esse volume representa uma retração de 11,2% em relação a igual período do ano passado, segundo informa a Agência Nacional de Petróleo (ANP). A queda se explica pelo natural envelhecimento das jazidas em exploração, e pouca intensidade na perfuração de novos poços de petróleo.

O ano já começou com resultados negativos, apontando uma queda de 29,1% em janeiro. Os volumes perdidos até conseguiram ser recuperados nos dois meses seguintes, mas os resultados de abril, maio e junho voltaram a por a produção para baixo. Somente no mês de junho, a redução foi de 26,6%, ou seja, foram produzidos 73,1 mil barris a menos.

No acumulado do semestre, o Ceará produziu 160,6 mil barris a menos que o mesmo período do ano passado. Se levado em consideração o preço médio ao qual o petróleo cearense foi vendido em 2010, ao valor de R$ 125,3 - de acordo com dados do Anuário Estatístico 2011 da ANP -, a queda no faturamento com a produção do Estado superaria os R$ 20,1 milhões.

A ANP ainda não apresentou em seu sítio eletrônico os dados detalhados da produção de junho no Ceará, dividindo a produção entre mar é terra.

Contudo, os dados até maio mostram que a queda nos volumes de petróleo retirados do Estado foi puxada especialmente pela produção marítima, de onde se tiram as maiores quantidades do petróleo cearense. A redução de janeiro passado no mar, de 37,2%, não conseguiu ser recuperada nos meses seguintes. Abril e maio, inclusive, também mostraram recuos.

Somente da produção marítima - que é retirada dos quatro campos marítimos de petróleo do Ceará, em Paracuru: Atum, Xaréu, Curimã e Espada -, foram 59,1 mil barris a menos até maio. Na média dos cinco primeiros meses do ano, a produção de petróleo em mar representava 76,4% do total produzido no Estado.

O volume de petróleo retirado em terra - que sai da Fazenda Belém, entre Icapuí e Aracati - também foi menor, acumulando quedas em todos os cinco primeiros meses do ano. Isso ocorreu mesmo com a campanha de perfuração realizada no segundo semestre do ano passado, quando foram perfurados 14 novos poços.

Neste semestre, a Petrobras, única empresa a realizar exploração de petróleo no Ceará, tanto em mar quanto em terra, pretende abrir outros 12 poços na Fazenda Belém.

Declínio
Desde 2003, observa-se a queda na produção de petróleo no Ceará. Naquele ano, foram produzidos 5,4 milhões de barris, volume que, em redução gradual ao longo dos anos, chegou a 2,9 milhões em 2010. Neste intervalo, a produção em terra registrou altos e baixos nos seus resultados, enquanto que, em mar, só houve decréscimo, saindo de 4,4 milhões para 2,2 milhões.

A queda da produção de petróleo reflete, diretamente, nos repasses de royalties aos Estados e municípios beneficiários. O que é produzido em um mês gera compensações financeiras que serão entregues em dois meses, ou seja, a produção de junho vai gerar os royalties que serão repassados em agosto.

SÉRGIO DE SOUSA
REPÓRTER

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