quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Artigo: "A História ninguém deterá. É rio que corre pro mar..."

Do universo conturbado de tarefas no qual me insiro hoje, e por força de uma relação íntima que não me deixa esquecer jamais do lugar no qual me instalei de “mala e cuia”, achei oportuno inferir algumas reflexões que, dado o momento político de Icapuí, são de grande pertinência. Esta atitude, ao lado dos esforços do Blog “A cidade Icapuí”, somam-se como contributos para a memorização dos fatos vividos neste município.
Talvez sejam bom evocar o poeta e tomar de empréstimo uma expressão por demais ideal, dizendo aqui com ele que “a história ninguém deterá, é rio que corre pro mar”, uma possibilidade jamais adiável quando esse é o curso. Nada segura o movimento da história, em especial os movimentos humanos, políticos e sociais deles advindos. Essa história que se move em processos de superação de outros é uma dinâmica da qual não podemos nos desvencilhar.
Todo esse preâmbulo somente para embasar a ideia de que, no movimento histórico de cada lugar, e em nosso caso específico que é o momento pelo qual passa o município de Icapuí, existem situações que se apresentam como fatos históricos locais que devam ser bem marcados e solidificados na memória e na identidade do lugar, como elemento integrante de sua cultura e história. E o que ocorre agora em nossa terrinha é um deles. Que nossas gerações futuras não o esqueçam.
Por mais que esforços estranhos tenham exercido nos últimos anos pressão para constituírem a história de Icapuí no recorte da mudança de gestão pública de um partido para outro, definindo como um início da história municipal o limite da ascensão de um novo grupo de gestores a partir de 2005, os elementos presentes na estrutura social local exercerem força de pressão contrária. Isso quer dizer que enquanto se procurava negar os passos desenvolvidos no âmbito da história desse território, rechaçando como negativo ou inexistentes tudo até então construído, pelo simples fato de ter sido desenvolvido sob os auspícios de um grupo de gestores diferente e de uma sigla partidária avessa, ao mesmo tempo, essa trajetória até então decorrida, aliada aos seus instrumentos históricos ficaram marcados na população como história de Icapuí, história das pessoas, história do nosso torrão natal. Rebater o curso dessa história local, acredito, não exerceu o poder do exemplo da represa, que a seu modo pode servir para acumular energia e desenvolver mais eventos históricos. No caso vivenciado até aqui, negar a história local funcionou como um consumidor, um esgoto, acumulando má água, “mágoas”, represando coisas ruins, que apodrecem e enojam.
No extremo acirrado dessa negação e dessa repressão, a própria história irrompe para continuar seu curso, rememorando aquilo que faz parte de sua existência e cobrando avanços nesse curso. Considerando que não se instalaram movimentos políticos de superação para cima no período, a tendência é que se sinta “saudades das cebolas do Egito”. É próprio que, por força desse represar, o movimento histórico, que é constante, venha a reverter e retomar o curso de forma abrupta, como aconteceu em nosso município. Aqui não se trata somente de frentes políticas, nem unicamente de grupos ou pessoas com seus interesses. Estes são atores dessa ação, imprescindíveis, porque são os homens (no sentido de humanidade) que põem curso na história. Mas trata-se da própria identidade local, de sua própria constituição sociopolítica e cultural, que sob o impulso de seu decorrer histórico, mobilizam os sujeitos e as instituições para retomarem o curso e porem em andamento aquilo que foi estagnado.
Por essa razão, não é possível romper o curso de nossa história, da história de Icapuí, em especial, porque ela, na sua essência, traz a alma vanguardista, carrega a simbologia da esperança, está alimentada de desejo de vir-a-ser cada vez mais. Esse município que nasceu sob o signo da liberdade, no cenário histórico da democratização dos anos 1980, semeia desde cedo a própria liberdade frente os feitos castradores de seu destino de sucesso. Não poderia ser diferente, mais cedo ou mais tarde. A história local mostraria sim sua força no decorrer do tempo, ou de outro, mas nunca, nunca se deixando prender.
A cada momento de mudança, há sempre um limite de contradição suportável. Tendo sido assim por volta de 2004, e tendo sido assim neste momento de 2011, será muito mais forte essa ruptura nos próximos tempos se aqueles atores que tomam para si “a direção da barca” não tiverem a inteligência de pensar o município na sua história e para a sua história, transcendendo o momento de governo, mas pensando para além dos frágeis vinte, doze, quatro ou oito anos de gestão, pensando para o que virá a ser e para a força que desfaz, quer queira, quer não, os sonhos absolutistas de qualquer equipe gestora. 
Deste modo, torna-se importante alertar que o que se inicia agora não é uma nova história, e que não se pode negar o curso até aqui. Seria desastroso, como assim foi. O mais correto é agrupar as trajetórias realizadas, alimentar-se nelas como no peito da mãe para tirar o que é mais alimentador para continuar. Mudar a rota ou alterar o curso seria igualmente inútil. A própria história cuidará disso se for necessário. O que é mais significativo agora é tomar nas mãos a história local como uma tarefa coletiva e levar nosso Icapuí para o lugar para o qual ele sempre tendeu, qual seja, o da qualidade de vida, da democratização, da liberdade, da alegria e bem-estar do povo, e da felicidade

2 comentários:

Hercílio disse...

Excelente Artigo, Amigo! rs Morei & trabalhei na Canoa Veloz por 1 década, sinto-me Cidadão Icapuiense; desse modo, torço sinceramente q o Povo retome a direção da barca, c crtz, abçsss!!!

ClaudiMar Silva disse...

Que belo texto amigo Clotenir.

Ele imbui duas coisas importantes para mim, e creio que também para nossos companheiros de blog e amigos leitores: aliviar nossa extrema saudade de vossa pessoa, de vosso conhecimento, de vossas palavras neste espaço; e a reflexão sobre a conjuntura política e histórica atual de nossa cidade.

Suas palavras refletem, de forma culta, porém compreensível por todos, a importância de olharmos como mais carinho para o futuro que desejamos para Icapuí. Incita a cada um de nós analisar os prós e contras dos "destinos" oferecidos a serem escolhidos na eleição próxima.

Icapuí é sim uma cidade especial, com pessoas igualmente especiais, que carregam em si uma auto-estima, um querer ser sempre muito mais do que somos, crescer, desenvolver.

Que este momento sirva para refletirmos sobre o que realmente é importante para nós: o gozo individual de uma vida feliz, ou a felicidade coletiva de uma cidade próspera que ofereça alternativas de um futuro bom?

Abraços ao caro amigo Clotenir. Parabéns!!!